Prefeitura de SP consegue posse de 57 imóveis da Cracolândia

Edital de licitação para demolir quadras da região deve sair nos próximos dias

Camilla Rigi, do Estadão,

24 de setembro de 2007 | 19h38

A Prefeitura já conseguiu a posse de 57 imóveis na antiga Cracolândia, rebatizada de Nova Luz, e deve lançar nos próximos dias o edital de licitação para demolir as duas primeiras quadras da região. "Assinei o edital anteontem", disse o subprefeito, Mário Jordão. Até o fim da semana, ele deve retirar as últimas três famílias que moram na área. "Mesmo com a emissão de posse, precisamos transferir essas famílias para outro local."Essa é primeira entrevista de Jordão a frente da Subprefeitura da Sé. Ele assumiu o cargo no dia 19 de setembro, mas só ontem concordou em falar sobre seus planos para o centro da capital. "Estava conhecendo a equipe. Fiz questão de saber quem era um por um", explicou. Estratégia, que ele alega que também usou quando assumiu o posto de Delegado-Geral da Polícia Civil, no início do ano, para unir a equipe. No triângulo formado pelas Ruas Mauá, General Couto de Magalhães e dos Protestantes serão erguidas as novas sedes da subprefeitura e da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação (Prodam). Um dos prédios que não será demolido abrigará a Guarda Civil Metropolitana. "Nossa previsão é de que em dezembro já tenhamos iniciado a demolição. Se tudo correr bem", declarou Jordão. O ex-subprefeito e atual secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, deve continuar à frente do projeto, que pretende revitalizar 23 quadras da região. Jordão disse que dará todo o apoio necessário. Novos projetosAlém da Nova Luz, Jordão falou sobre uma questão que o incomoda muito: os moradores de rua. "É angustiante ver uma criança caída no chão. Eu entendo que ela não tenha autodeterminação, é uma criança que foi abandonada ou deixou a casa. Não sabe exatamente o que está fazendo ali", confessou o subprefeito. Ele afirmou que é muito importante tratar também da saúde das crianças e moradores de rua."Muitos estão com hepatite, tuberculose, outros com problema psiquiátricos. Não vejo a possibilidade de sucesso de operações sem o envolvimento da Secretaria da Saúde", afirmou Jordão, que deve se reunir com o secretário da pasta, Januario Montone, na próxima semana. "Eu entendo que essa gente que está no fundo do poço, a polícia não resolve nada."O subprefeito explica que a Polícia tem limitações legais para agir. E que se pegar alguma criança usando droga vai levar para a delegacia, fazer um termo circunstanciado e liberar horas depois. "Isso gera uma desmoralização da ação. Porque a criança volta para o local onde estava, algumas vezes ainda sob efeito da droga. Por isso, a necessidade de um acompanhamento", afirmou. Segundo pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), pelo menos 1. 196 crianças e adolescente em situação de rua estão no centro expandido, só na Sé são 774. "Uma região de imenso potencial financeiro, gera aproximação de moradores de rua que vêm aqui pedir dinheiro, buscar um amparo, porque também tem muitos equipamentos sociais. E quando aglomera o problema aumenta. Mas vamos tentar minimizar".Saída da políciaO subprefeito afirma que o novo cargo só foi proposto a ele depois que já tinha pedido exoneração de seu posto na Polícia. "Eu achei que eu tinha pontos de vistas administrativos diferentes e eram questão de foro íntimo, que eu entendi que era melhor sair para não conturbar", alegou Jordão. Ele negou que tenha discutido com o secretário Estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. "A nossa relação é extremamente cordial . Eu continuo com trânsito muito bom na Polícia", garantiu o subprefeito, que na semana que vem deve se reunir com a cúpula das Polícias Civil e Militar para acertar detalhes de operações conjuntas no combate ao comércio ilegal, estacionamentos e outros estabelecimentos que são irregulares no centro.

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