Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Variante de Manaus representa 64% dos casos de covid na cidade de SP, aponta Prefeitura

Gestão Covas indica que pacientes procurem UBSs assim que identificarem primeiros sintomas do novo coronavírus; novo protocolo prevê bateria de exames e acompanhamento domiciliar com oxímetro

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 10h56
Atualizado 26 de março de 2021 | 13h47

A Prefeitura de São Paulo divulgou na manhã desta sexta-feira, 26, um levantamento feito em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT/USP) que apontou que 64,4% dos casos de covid-19 em residentes na cidade são da variante P1, primeiramente identificada em Manaus. A cepa é associada a uma maior transmissibilidade e agravamento da doença.

Com o resultado do estudo, o protocolo de atendimento mudou e, agora, a gestão Bruno Covas (PSDB) indica que o paciente procure atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ao notar sintomas respiratórios por três dias seguidos. O objetivo é evitar que esses casos piorem, necessitando de internação. 

"Essa mudança será fundamental para que a gente possa identificar de forma prematura, precoce, aquele paciente que seguramente vai se agravar e, portanto, ter um acompanhamento clínico muito mais sério”, ressaltou o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

Ao todo, a análise foi feita com 73 amostras de exames RT-PCR de residentes na cidade, colhidas na primeira semana de março. Ela mostrou que 64,4% dos casos de moradores são da cepa de Manaus, 6,8% da identificada primeiramente no Reino Unido (B.1.1.7) e 28,8% de 21 outras linhagens não consideradas VOC (sigla para “variante de preocupação”, em inglês). As variantes brasileira e britânica estão em todas as regiões da capital paulista.

“É muito claro que já está em toda a cidade”, destacou o secretário. A cepa P.1 foi identificada pela primeira vez na capital paulista em 22 de fevereiro.

Aparecido destacou que a cidade enfrenta uma “escalada” no número de casos, internações e óbitos pela doença. Outro ponto ressaltado é que a média de tempo de hospitalização desses pacientes aumentou de 8,8 dias para 9,3 dias, o que é associado aos jovens, que acabam procurando atendimento apenas quando estão com um quadro de saúde agravado.

O secretário informou que 30% dos atendimentos de pacientes com sintomas de coronavírus ocorrem em urgência e emergência, quando há sinais da doença por cerca de cinco ou seis dias. “Esses pacientes procuram o sistema de saúde quase sempre com estágio avançado”, disse. “A população de 20 a 54 anos hoje concentra o maior número de casos confirmados, que é uma característica acentuada dessas novas variantes"

Com a mudança de protocolo, a Prefeitura realizará ações educativas no trânsito, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), para orientar a população a procurar os postos de saúde assim que notarem sintomas de covid-19. Também há o objetivo de aumentar a “busca ativa” de possíveis infectados pela doença.

Um estudo feito pela rede Dasa de laboratórios em parceria com cientistas do IMT/USP em março já havia apontado que a variante P.1 é predominante na Grande São Paulo, representando 77% das amostras analisadas. No mesmo mês, outra análise do instituto apontou que 93% dos casos em Araraquara eram da nova cepa brasileira. 

Na coletiva, Aparecido comentou, ainda, que a vacinação contra a gripe começará na capital em abril. O planejamento prevê que a campanha ocorra em locais distintos da imunização da covid-19. “Não só para não ter aglomeração, mas também para não misturar a população", explicou.

Novo protocolo prevê bateria de exames e acompanhamento com oxímetro; veja detalhes​

Com o novo protocolo, o paciente que tiver sintomas há pelo menos três dias deve ser submetido a exames de hemograma, proteína C reativa (PCR), DHL, ferritina e triglicérides. Além disso, ele será submetido à coleta do teste RT-PCR e monitorado diariamente por telefone até o 14º dia.

“Esse protocolo foi adaptado às características da doença com essas novas variantes, que se apresentam diferenças”, explicou Sandra Maria Fonseca Sabino, secretária executiva de Atenção Básica, Especialidade e Vigilância. “Apelo para toda a população para que, aos primeiros sintomas, principalmente os pacientes jovens, para que procurem as Unidades Básicas de Saúde para o monitoramento.”

Após seis dias dos sintomas ou caso ocorra piora no quadro de saúde, o paciente deverá refazer todos os exames. Esse procedimento também se repetirá pela terceira vez após 10 dias no caso de pessoas idosas ou com comorbidades. Caso o paciente não retorne à UBS, deverá haver visita domiciliar ou contato telefônico.

O protocolo destaca, ainda, que antibióticos devem ser receitados apenas se houver suspeita de pneumonia bacteriana, enquanto anticoagulantes são restritos para pacientes em ambiente hospitalar. Além disso, a indicação é que seja fornecido oxímetro, pelo qual a saturação será acompanhada e, caso fique abaixo de 94%, a pessoa deverá voltar à unidade de saúde para novo atendimento.

No caso de dispneia, desconforto respiratório, pressão persistente no tórax, coloração azulada de lábios ou rostos, a recomendação é que o posto encaminhe o paciente para a rede hospitalar. 

O boletim municipal de quinta-feira aponta 697.819 casos e 20.813 óbitos pela doença confirmados. Na rede municipal, a ocupação é de 90% em UTI e 82% em leitos de enfermaria para pacientes do novo coronavírus.

Nesta sexta, teve início do feriado prolongado na cidade. Na quinta-feira, 25, a gestão Covas divulgou a ampliação de leitos e a compra de 19 miniusinas de produção de oxigênio medicinal

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