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Prefeitura de SP afasta funcionários de terminal de ônibus onde ator negro foi agredido

Após ser espancado e roubado, Diogo Cintra pediu ajuda a seguranças do terminal, que não teriam acreditado nele; jovem diz ter sido vítima de racismo

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2017 | 11h27

A Prefeitura de São Paulo determinou o afastamento de funcionários que trabalhavam no Terminal Parque Dom Pedro II na madrugada desta quarta-feira, 15, quando um ator negro foi agredido e roubado por um grupo. Diogo Cintra, de 24 anos, diz que pediu ajuda para vigilantes e que eles negaram socorro por racismo. O caso ocorreu por volta das 5 horas desta quarta-feira, 15. 

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A SPTrans, responsável pelo terminal de ônibus, determinou o "imediato afastamento" dos funcionários do turno. Ao ser procurada na sexta-feira, 17, no entanto, a SPTrans havia informado que solicitou esclarecimentos à SPURBANUS, responsável pela administração do Terminal Parque Dom Pedro II, e que iria colaborar com as autoridades para elucidar os fatos.  

"Os funcionários permanecerão afastados até que sejam concluídas todas as apurações o fato seja elucidado", diz a SPTrans. "A SPTrans está colaborando com as autoridades policiais para esclarecer o caso o mais depressa possível. O processo de apuração ocorre mesmo durante o final de semana prolongado. A SPTrans reitera repudiar com veemência quaisquer atos de agressões e de racismo".

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Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que o 1º Distrito Policial, da Sé, instaurou inquérito para investigar o ocorrido. "A vítima será ouvida nos próximos dias. As imagens do Terminal Parque Dom Pedro estão sendo analisadas para a identificação dos autores das agressões".

O caso foi registrado como roubo e lesão corporal no 78º Distrito Policial e foi solicitado um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

O caso.

O ator saiu de uma balada na região central da cidade de São Paulo por volta das cinco horas da manhã e seguia para casa quando foi abordado por dois homens que pediram celular e dinheiro. 

Cintra reagiu e tentou se abrigar no Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro II, onde pediu a ajuda de uma segurança. Ela sugeriu que ele pedisse ajuda a seguranças homens, também do terminal.

Nesse momento, porém, os mesmos criminosos que haviam tentado roubá-lo chegaram ao local com um grupo maior de pessoas. Eles o acusaram de ser ladrão e ter roubado o celular de um deles. Ele afirma que tentou convencer os funcionários de que era o dono do aparelho, mas foi forçado a ficar em silêncio.

"Assumindo logo de cara que eu era o culpado, ele me entregou pros caras, que me arrastaram para fora da estação, e lá do lado de fora eu fui ESPANCADO por eles. O segurança chegou a perguntar o que eles iam fazer comigo, e disseram que iam me levar pro 'rio' ", relatou em post no Facebook.

A vítima argumenta que os seguranças acreditaram que ele era um criminoso apenas porque é negro. “O racismo mata todos os dias! Eu fui vítima não só de racismo, mas do absurdo e da violência que pessoas que tentam fazer ‘justiça com as próprias mãos’ são capazes”, escreveu.

O ator ainda contou que foi atacado por cães que pertenciam ao grupo com cerca de cinco homens. Somente quando uma menina que os acompanhava pediu para pararem é que ele pôde escapar. Voltou para o terminal de ônibus e foi para a casa de um amigo que o levou para o pronto-socorro municipal Doutor Álvaro Dino de Almeida. 

Cintra terminou o texto com a pergunta: "Quantos Diogos ainda vão ter que passar por isso?".

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