Isaac Fontana/Estadão
Isaac Fontana/Estadão

Prefeitura de SP admite suspender carnaval de rua em julho se não houver patrocinador

Prefeito Ricardo Nunes afirmou que o Executivo não vai usar recurso público para o evento, que será fora de época neste ano

Caio Possati, especial para o Estadão

30 de junho de 2022 | 21h39

O carnaval de rua de São Paulo, agendado para os dias 16 e 17 de julho e batizado de Esquenta Carnaval, corre o risco de não ser realizado. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou nesta quarta-feira, 30, que se não houver patrocínio privado para custear o evento, “a Prefeitura não vai colocar dinheiro público” para bancar os desfiles dos blocos este ano.

Um novo edital de patrocínio foi aberto e as inscrições pelas empresas devem ser feitas até a próxima quinta-feira, 7 de julho. A abertura de um novo certame foi feita porque no primeiro processo licitatório, divulgado no último dia 4 e com lances a partir de R$ 10 milhões, nenhuma entidade privada se interessou em patrocinar a festividade.

Se, novamente, nenhuma organização se inscrever na licitação, o Esquenta Carnaval não deverá acontecer. Nunes justificou a desobrigação do Executivo de bancar o evento pelo fato de a festa estar sendo realizada fora de época.

“Se não houver patrocínio privado, a Prefeitura não colocará dinheiro público no carnaval. Como é um evento extraordinário e não ordinário, ou seja, não está no rito normal das ações, a Prefeitura não vai colocar recurso público”, afirmou o prefeito. “Se a gente tivesse falando de carnaval do começo do ano, junto com o carnaval normal (em referência ao realizado no Sambódromo), evidentemente, se não tivesse patrocínio, a gente iria aportar para garantir o evento”, completou.

Mas Nunes mostrou otimismo. Diferentemente do primeiro edital, o segundo certame foi aberto com lances menores, a partir de R$ 6 milhões. “Creio que deva ter patrocinador, porque os valores foram reduzidos”, disse o prefeito. A Prefeitura abre editais de patrocínio para captar dinheiro que será destinado aos serviços que o carnaval de rua demanda, como: desvio das vias, instalação de banheiros químicos, segurança feita pelo Polícia Militar, entre outros.

Recuo

O anúncio da possível não realização do evento demonstra um recuo em relação a uma reunião feita entre a Prefeitura de São Paulo, a Secretaria Municipal de Cultura e representantes dos blocos de rua.  O encontro foi realizado no dia 4 de junho, e segundo um levantamento da própria Prefeitura, anunciado no dia 7 de junho, 294 blocos já haviam se inscrito para o desfile.

Como foi em 2021, o carnaval de rua não aconteceu tradicionalmente no começo do ano em razão da pandemia da covid-19. Em janeiro e fevereiro, o Brasil viu os números de casos positivos e vítimas da doença crescerem em todo o País impulsionados pela variante Ômicron. Os desfiles das escolas de samba de Acesso I, Acesso II e Especial, na capital, foram adiados e realizados somente em abril no Sambódromo do Anhembi.

Na ocasião, 17 blocos, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foram às ruas, e tiveram que contar com o financiamento coletivo e usar o próprio dinheiro para festejar o carnaval.

José Cury Filho, membro do Fórum Aberto de Blocos de Carnaval de São Paulo, um dos coletivos que representam cerca de 180 blocos de rua paulistanos, criticou as declarações de Nunes. “A prefeitura fez uma reunião para dizer que vai ter (desfile) no dia 16, fez um formulário, mas deixou o (Esquenta Carnaval) na condicionante do patrocínio”, criticou.

“Não vamos sair (na rua). É irresponsável desfilar e organizar o desfile sem segurança para a comunidade”, disse Cury, ao ser questionado sobre se o coletivo pretende desfilar caso não tenha auxílio do poder público. “Mas é capaz que alguns blocos de bairros saiam para protestar e bater o pé. Mas isso não posso garantir."

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