Prefeitura de São Paulo quer privatizar Feira da Madrugada

Empresa que assumir gestão do centro de comércio teria de investir R$ 400 milhões

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - Dez meses depois de assumir a gestão da Feira da Madrugada do Brás, a Prefeitura de São Paulo quer conceder a exploração comercial de 3,5 mil boxes de lojistas para a iniciativa privada. É o que prevê o projeto - feito ao custo de R$ 8 milhões - que será apresentado pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido) na quinta-feira ao governo federal, proprietário da área de 136,8 mil metros quadrados no centro.

Como contrapartida pela gestão do galpão por onde passam cerca de 50 mil pessoas por dia, o futuro concessionário terá de investir R$ 400 milhões em infraestrutura. Um hotel de serviços com 300 apartamentos, um estacionamento para 500 ônibus e outro para 1.152 veículos e uma torre comercial com 445 escritórios devem ser construídos no entorno da ferinha pelo vencedor da concessão do local - o período de gestão deve ser de 30 anos e os equipamentos construídos vão ficar para a União.

"O objetivo é criar um circuito de compras entre as regiões do Brás, 25 de Março, Santa Ifigênia e Bom Retiro", argumenta o secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra. Para levar a ideia adiante, a Prefeitura precisa assumir a posse definitiva da área da feirinha, que pertencia à antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e hoje é propriedade do Ministério do Planejamento.

O governo federal vai se pronunciar somente após conhecer o projeto, elaborado pela IDP, empresa ligada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Prefeitura passou a gerenciar o espaço da Feira da Madrugada em 22 de novembro. Entre 1998 e 2010, a área foi explorada pela empresa GSA, que havia loteado o terreno do governo federal com mais de 8 mil boxes de camelôs.

Após investigação da Polícia Federal, foi constatado que os ambulantes pagavam até R$ 4 mil por mês pelo aluguel dos boxes, onde eram vendidos produtos contrabandeados e até drogas. "Teve lojista que pagou R$ 200 mil por um box sem nenhuma garantia. Agora, o concessionário vai também cobrar pelo uso dos boxes, mas tudo vai ser dentro da lei e sem produto pirata", assegura Cintra.

Dos 8 mil camelôs que estavam no galpão da feira em novembro, quando a Prefeitura assumiu o espaço, restaram 2.938. Só nos últimos 22 dias, foram lacrados 993 boxes onde havia venda de produtos piratas e outros 169 sob suspeita de estar com documentação irregular.

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