Prefeitura de São Paulo ampliará fiscalização viária após 0h

Ideia é ampliar a ação dos agentes de trânsito também nos fins de semana, considerando que são os dias com mais acidentes fatais

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Para tentar diminuir a letalidade do trânsito paulistano, a Prefeitura de São Paulo ampliará a fiscalização viária em fins de semana e também nas madrugadas. Os sábados e domingos são, justamente, os dois dias da semana com a maior ocorrência de acidentes fatais na capital, assim como o período da noite e da madrugada é o que mais concentra mortes nas vias. A ação, segundo o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, será “inédita” e começará ainda neste ano.

O objetivo da gestão Fernando Haddad (PT) é coibir práticas como excesso de velocidade, embriaguez ao volante, uso do celular pelo motorista e desrespeito aos ciclistas, por exemplo. Tais atitudes ocorrem com mais frequência entre as 18 horas e as 6 horas e aos fins de semana, quando a fiscalização presencial de agentes cai drasticamente nas vias. 

“Nesses horários acontecem, digamos, algumas liberalidades. As pessoas se sentem mais à vontade de, por exemplo, não usar o cinto de segurança, ou de tomar algo e dirigir para casa”, afirmou nesta quinta-feira, 25, Tadeu Leite Duarte, diretor de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Por enquanto, a empresa realizará um mapeamento dos pontos mais propensos a irregularidades. “A ideia é fazer um controle de qualidade da segurança que é ofertada. No primeiro momento, levantar e caracterizar muito bem isso e depois aumentar a fiscalização”, diz Duarte. A ação será espalhada na cidade toda, e não restrita à região central, como costumava ocorrer até pouco tempo com programas de fiscalização.

Além dos agentes da CET, os cerca de 3 mil guardas-civis metropolitanos que começarão a multar infrações no trânsito da cidade também participarão da fiscalização reforçada, que começa até dezembro. O Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) da Polícia Militar, responsável por bloqueios para medir a alcoolemia no organismo dos motoristas, também será convidado a participar.

Controle de qualidade. O idealizador do projeto é o engenheiro Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), que prestou consultoria voluntária para a Prefeitura. “É um controle de qualidade do trânsito, que identificará as infrações mais cometidas na cidade. Como as equipes serão distribuídas aleatoriamente e em horários diferentes, o motorista vai ter uma percepção de aumento dos monitoramentos.” 

Figueira explica que, em São Paulo, o risco de morrer no trânsito é oito vezes maior entre zero hora e 6 horas.

O secretário municipal Jilmar Tatto disse que a ação deixará o trânsito mais seguro. “Às vezes, uma pequena irregularidade de trânsito propicia que se cometa uma grave, levando a um acidente sério.” 

Dados da CET mostram que 592 mortes no trânsito (mais da metade) ocorreram entre 18 e 6 horas. Nas madrugadas de domingo, por exemplo, morreram em média 66 pessoas, o triplo das 22 registradas nas quintas.

Mais conteúdo sobre:
São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.