Prefeitura de São Caetano alega ter dívida de R$ 233 milhões

Valor representa 27% do orçamento da cidade para 2013, estimado em R$ 870 milhões

Tiago Dantas - O Estado de S.Paulo,

19 de fevereiro de 2013 | 16h28

Município com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País em 2000, São Caetano do Sul, no ABC, alega estar em dívidas. A prefeitura deve apresentar à Câmara dos Vereadores um relatório detalhado sobre as dívidas do município na tarde desta terça-feira, dia 19. O déficit chega a cerca de R$ 233 milhões, o equivalente a 27% do orçamento para 2013, estimado em R$ 870 milhões, segundo a prefeitura.

Os programas sociais lançados ao longo dos últimos anos pelo ex-prefeito José Auricchio Junior (PTB) deixaram R$ 7,5 milhões a pagar, segundo o relatório elaborado pela atual gestão. Por meio dos programas, a prefeitura da cidade entregava cesta básica, leite e um cartão para custear gastos com remédios e cosméticos. Auricchio, que hoje é secretário estadual de Esportes, contesta os valores e alega que a dívida deixada do seu governo é menor, de cerca de R$ 120 milhões.

O ex-prefeito também questiona a falta registros oficiais da dívida informada pela atual gestão, comandada pelo prefeito Paulo Pinheiro (PMDB), que venceu a eleição como candidato da oposição. Na última semana, Auricchio se reuniu com vereadores da cidade para tratar o assunto. Um dos argumentos do petebista é que, se prestadores de serviços tivessem deixado de receber, como alega Pinheiro, eles teriam parado de trabalhar, o que não aconteceu.

Com relação aos contratos com empresas privadas, a dívida mais alta é com a TB Serviços, responsável pela varrição das ruas, segundo dados passados pela prefeitura. A empresa tem cerca de R$ 88 milhões por receber referentes aos serviços prestados ano passado. A Fundação ABC, responsável pelos serviços de saúde, deixou de receber R$ 42 milhões no ano passado. Outras 18 empresas ainda esperam receber entre R$ 1 milhão e R$ 15 milhões. Só a folha de pagamento da Prefeitura tem um rombo de cerca de R$ 8 milhões.

De acordo com o governo, alguns funcionários não receberam as férias em dezembro. Auricchio, por sua vez, nega que salários tenham deixado de ser pagos. Ao longo de fevereiro, Pinheiro determinou o corte de 30% nos gastos de todas as secretarias do governo. Além disso, tirou as gratificações de funcionários comissionados e está tentando renegociar as dívidas com empresas privadas prestadoras de serviço.

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