FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Prefeitura começa neste sábado a erguer viaduto da Marginal do Pinheiros

Covas evitar dar prazos, mas trabalhos podem se estender por até dez dias enquanto técnicos verificam a estrutura da parte elevada e das pistas. Nova ciclofaixa será aberta diante do aumento no fluxo de bicicletas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2018 | 22h43

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo começa neste sábado, 1, a erguer o viaduto que cedeu na Marginal do Pinheiros no último dia 15, bloqueando o trânsito da via expressa sentido Castelo Branco, ainda sem a certeza de quais serão as obras de engenharia necessárias para reabrir as pistas. A gestão Bruno Covas (PSDB) deve publicar na próxima terça-feira os editais com as exigências para contratação, sem licitação, de empresas que começarão, daqui a duas semanas, a fazer vistorias técnicas em 33 outras pontes e viadutos tidos como em risco na cidade.

Ainda buscando formas de mitigar os impactos no trânsito trazidos pelo bloqueio da Marginal, a Prefeitura vai instalar uma ciclofaixa na Rua Costa Carvalho, paralela à Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da cidade, para ajudar cidadãos que passaram a fugir de bicicleta do trânsito.

Segundo o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano, a Faria Lima passou de uma média de 4 mil bicicletas por dia, antes do acidente, para atuais 8 mil. A prefeitura também vai liberar mais pontos de compartilhamento de bicicletas entre os bairros Jurubatuba, na zona sul, e Jaraguá, na zona oeste. As negociações, que já haviam sido iniciadas, foram aceleradas por causa do aumento de usuários, segundo o secretário.

Ainda na manhã de ontem, o Ministério Público fez uma vistoria no local do acidente. O promotor Maurício Milani, que tem uma investigação aberta sobre o acidente, argumentou que a Prefeitura não estava respondendo pedidos de informação feitos por ele ao longo da semana e que foi ao local colher eventuais provas de negligência na conservação da estrutura.

"Nem o horário em que vai começar o macaqueamento eles me disseram", disse o promotor, que estava acompanhado de dois engenheiros do corpo técnico do MPE. "As evidências de falta de manutenção são visíveis", disse o promotor, qua aguardará laudo técnico dos engenheiros para seu inquérito. Ele disse ainda que técnicos do IPT farão ensaios com borrachas, vigas e o concreto do viaduto. A previsão é que a investigação, que apura eventual negligência da Prefeitura como causa do acidente, dure até o janeiro.

O secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Victor Aly, rebateu o promotor. Disse que os pedidos de informação feitos pelo MPE haviam chegado em seu gabinete na quinta-feira e que estavam sendo respondidos com celeridade. "O questionamento é grande e a gente estava elaborando as respostas. A gente vai encaminhar opara o Ministério Público", afirmou.

Obras

Uma reunião técnica ocorrida nesta sexta-feira, 30, na Prefeitura definiu os últimos detalhes dos testes que ocorrem neste sábado, 1. Enquanto a estrutura da ponte é erguida, técnicos vão verificar se a estrutura da ponte, chamada tabuleiro, onde estão as pistas, sofreu ou pode sofrer avarias. O processo é lento e Covas evita em dar prazos para a conclusão dos trabalhos. Os técnicos da Prefeitura falam em até dez dias. 

Por causa desse teste, a circulação da CPTM estará interrompida entre as estações Cidade Universitária e Villa-Lobos-Jaguaré por tempo não divulgado. Neste sábado, serão 20 ônibus fazendo o transporte de passageiros  entre as duas estações. 

Paralelamente, enquanto as obras estão sendo executadas e a Prefeitura toca os processos para a contratação de empresas que farão as vistorias em outros viadutos, a administração municipal fará uma nova vistoria visual em cerca de 160 outros pontos da cidade, para detectar novos locais que possam estar em risco. Isso porque, ao autorizar as contratações emergenciais para empresas que farão estudos técnicos sobre as condições dos viadutos, o Tribunal de Contas do Município (TCM) exigiu que, a cada contrato emergencial, a Prefeitura apresentasse informações que justificassem a necessidade de contratos assinados sem licitação.

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