Prefeitura cobra universitário por depredação

Aluno de Arquitetura que foi detido e liberado após participar de quebra-quebra na terça-feira disse que pagará pelos prejuízos

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2013 | 02h15

A Prefeitura de São Paulo pretende cobrar do estudante de Arquitetura Pierre Ramon Alves de Oliveira, de 20 anos, os danos que ele confessou ter causado, em depoimento à polícia, na sede do Executivo municipal, na região central da cidade, durante a manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) na terça-feira. O caso é tratado pessoalmente pelo secretário de Negócios Jurídicos, Luís Fernando Massonetto, que deverá entrar com uma ação contra o acusado se ele não arcar com os prejuízos espontaneamente.

A Secretaria de Governo Municipal fará um levantamento dos estragos provocados individualmente pelo estudante na tentativa de invasão à Prefeitura. Para isso, serão analisadas as imagens em que o acusado foi reconhecido. Após o relatório da secretaria, Oliveira será notificado para pagar a dívida. Se não quitar o débito, a Procuradoria Geral do Município vai entrar com uma ação de cobrança.

Os outros envolvidos que forem identificados por atos de vandalismo também poderão ser processados, segundo a Prefeitura. A sede do governo municipal, no Edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá, é tombada pelo patrimônio histórico e teve portas e vidros atingidos por depredações e pichações no sexto ato do MPL. O Município constatou também perdas no Teatro Municipal, onde quatro bandeiras foram incendiadas.

Arrependido. Oliveira, filho de um empresário do setor de transporte de máquinas, foi detido na noite de anteontem por crime de dano qualificado, prestou depoimento e foi liberado. A polícia pediu a prisão temporária, que foi negado pela Justiça. Na saída do Departamento de Investigações de Crime Organizado (Deic), o universitário se declarou arrependido pela sua conduta. "Peço desculpas a todos os manifestantes do Movimento Passe Livre. Vou responder pelos meus atos, mas estou de cara limpa e gostaria que as outras pessoas que participaram da depredação se entregassem à polícia."

O advogado do universitário, Gerson Bellani, afirma que o cliente já se prontificou a quitar a dívida ao confessar o crime na delegacia. "Uma das consequências (do crime de dano ) é o agente ressarcir a vítima. Ele já se manifestou que tem disposição de ressarcir o dano da Prefeitura", afirmou o defensor. De acordo com ele, o valor cobrado pela Prefeitura será avaliado antes do pagamento. A defesa nega, porém, a acusação de incêndio a um veículo da Record.

Assediado pela imprensa, Oliveira disse que se sente perseguido e confuso. Ontem, ele passou o dia fora de casa e até o começo da noite não havia conseguido marcar um encontro com seu advogado. Equipes de TV o procuravam em sua casa ao longo do dia, na Vila Ré, na zona leste de São Paulo. "Ele está com medo", afirmou Bellani.

Ao Estado, Oliveira disse "que está sendo julgado por uma forma que ele não é". Segundo o acusado, a imprensa está distorcendo a sua imagem.

A Polícia Civil já identificou outros quatro amigos de Oliveira, que também teriam participado dos atos de vandalismo. O Deic não confirmou se eles já haviam sido ouvidos até a noite de ontem. De acordo com Bellani, o acusado se encontrou com amigos na manifestação, mas eles não participaram de atos de vandalismo. / COLABOROU MARCELO GODOY

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