Diogo Moreira/AE
Diogo Moreira/AE

Prefeitura cita pedágio urbano em edital oficial

Carro pagaria R$ 1 para entrar no centro; atual gestão diz que não adotará restrição

Caio do Valle / Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2012 | 03h00

A Prefeitura de São Paulo voltou a citar o pedágio urbano em um documento oficial como solução para melhorar o tráfego. Embora a atual gestão tenha por várias vezes reiterado que não iniciará a prática, edital lançado pela Secretaria Municipal de Transportes no sábado menciona a restrição como uma das "iniciativas relacionadas à gestão do trânsito" que futuramente podem ser adotadas.

De acordo com a proposta, a medida abrangeria uma área de 233 quilômetros quadrados no centro expandido. A tarifa custaria R$ 1 - menos do que o valor previsto em um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal e define a taxa em R$ 4. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) da Casa em abril, mas ainda não passou por votação.

O documento oficial da pasta de Transportes revela ainda que o investimento para implementação do pedágio urbano chega a R$ 15 milhões. As informações podem ser vistas na página 8 do 4.º anexo da concorrência aberta para construção e operação de três garagens subterrâneas no centro. Os estacionamentos também compõem um pacote de ações para "lidar com problemas relacionados à mobilidade da população".

Tanto as garagens quanto o pedágio fazem parte do Plano Integrado de Transportes Urbano (Pitu), projeto integrado de Município e Estado, com investimentos previstos até 2020.

Sem consenso. Entretanto, a adoção do pedágio como instrumento eficaz para diminuir os congestionamentos paulistanos segue sem consenso entre os especialistas. O consultor Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, diz que o mecanismo não surtirá efeito se a taxa for pequena, de até R$ 4, por exemplo. "Quem tem carro já paga garagem, inspeção. Todos vão incorporar o pedágio como mais um custo. E a lentidão viária continuaria igual."

Por outro lado, caso a tarifa custe muito, como em Londres, onde ultrapassa R$ 25, os motoristas mais pobres seriam prejudicados. Para o professor de Engenharia Civil da Fundação Educacional Inaciana (FEI) Creso de Franco Peixoto, a melhor solução seria aplicar o pedágio urbano só como uma complementação de outras políticas. "Ou seja, com mais linhas de metrô e trens expressos, além de ônibus rápidos, em um sistema alimentador, como em Curitiba." A cobrança, para ele, pode valer somente a partir do momento em que as pessoas tiverem mais e melhores alternativas de transporte público.

Nas ruas. Quem costuma dirigir pelas ruas da cidade também mostra opiniões diversas sobre o pedágio urbano. O empresário Carlos Pinffi, de 57 anos, por exemplo, acha "coerente" a ideia da taxação. "É justificável por causa do estágio que chegou a falta de infraestrutura na cidade. Acaba sendo necessário, porque a Prefeitura não investiu em transporte público."

Para a vendedora Ângela Quina, de 44 anos, a solução seria um completo absurdo. "A Prefeitura não investe e quer nos sacrificar?"

A reportagem procurou o governo para comentar o assunto. Em nota oficial, a Prefeitura reiterou apenas que "não planeja a adoção do pedágio urbano".

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