Prefeitura autoriza construção de centrais de triagem mecanizadas

Empresas responsáveis pela coleta do lixo vão erguer os equipamentos. Haddad pretende pedir R$ 40 milhões ao BNDES para reformar 19 centrais já existentes

Tiago Dantas, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2013 | 21h07

SÃO PAULO - A Prefeitura assinou, na tarde desta segunda-feira, 20, ordens de serviço para a construção de duas megacentrais de triagem de material reciclável. Cada equipamento vai ter capacidade para processar 250 toneladas de resíduos sólidos por dia, pouco mais que as 240 toneladas processadas diariamente nas 20 centrais já existentes. O objetivo do governo é aumentar a taxa de reciclagem da capital, que hoje é de 1,8% de tudo o que é recolhido. 

O prefeito Fernando Haddad (PT) pretende, ainda, pedir R$ 40 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para reformar 19 das 20 centrais de triagem existentes e para dar cursos de capacitação aos catadores de material reciclável credenciados na Prefeitura. Uma carta-consulta deve ser protocolada em Brasília até 7 de junho, segundo o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro. 

O grupo Loga terá que construir uma das centrais na Ponte Pequena, Bom Retiro, região central. A empresa, que já é responsável pela coleta de lixo na região noroeste da capital, deverá investir R$ 14,8 milhões no empreendimento.Já a empresa Ecourbis, que faz a coleta nos bairros da região sudeste vai gastar cerca de R$ 20 milhões na megacentral de Santo Amaro. 

As duas novas centrais deverão ficar prontas até junho de 2014. Elas serão mecanizadas: máquinas vão rasgar os sacos de lixo, ímãs vão separar o material ferroso, câmeras óticas vão dividir o plástico por cor e prensas vão montar os fardos para serem vendidos. A mecanização pode tirar postos de trabalhos de catadores de material reciclável, segundo o presidente da Cooperativa de Catadores do Glicério, Célio Bispo.

"Não acho uma boa ideia. Isso pode funcionar na Europa, mas não aqui. Vão acabar com a profissão de catador em São Paulo. Só vai existir o catador-robô", afirmou Bispo. "As centrais mecanizadas vão se juntar às outras centrais de triagem já existentes. E nossa intenção é que o dinheiro que for obtido com a venda do material reciclado nessas centrais mecanizadas seja investido na cadeia da reciclagem, para beneficiar o catador", disse o secretário Simão Pedro.

Loga e Ecourbis também serão responsáveis por construir outras duas megacentrais até 2016: uma em São Mateus, na zona leste, e outra entre as rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra. Entre 30 de agosto e 1° de setembro, a forma como a coleta seletiva deve ser feita na cidade será discutida durante a Conferência Municipal do Meio Ambiente. 

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