Prefeitura assume segurança e punição só sairá em 15 dias

Liga diz que vai esperar a polícia concluir inquérito para definir o que fará; escolas envolvidas podem até ser banidas do carnaval

ARTUR RODRIGUES , CAMILA BRUNELLI , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h01

O primeiro resultado prático da confusão no Anhembi foi anunciado ontem: a Prefeitura vai assumir integralmente a segurança do carnaval, antes dividida com a Liga Independente das Escolas de Samba. A medida já vale para amanhã, no desfile das campeãs. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) também disse que a administração será "implacável" com escolas que tiverem diretores estiverem envolvidos no episódio. Mas de punição mesmo até agora nada - a Liga disse ontem que vai o fim do inquérito policial, previsto para daqui a 15 dias.

Citando sempre os recursos públicos envolvidos no carnaval (veja boxe), Kassab disse ainda que pode até romper com a Liga, caso ninguém seja punido. "Jamais vamos tolerar a convivência com uma escola, caso seja identificado que o incidente tenha ligação com algum dirigente", afirmou.

De acordo com a São Paulo Turismo (SPTuris), empresa responsável pelo carnaval paulistano, no contrato com a Liga há previsão de suspensão da verba de agremiações por até dois anos, no caso de infrações graves. Hoje a verba municipal representa, segundo a Liga, 40% dos recursos de uma escola do Grupo Especial.

Quanto à segurança, Kassab afirmou que os detalhes técnicos de como a Prefeitura atuará para evitar novos incidentes ainda não foram definidos, mas o plano poderá incluir convênio com a PM ou a Guarda Civil. O major Alexandre Gasparian, que supervisionou o policiamento de Choque no Anhembi, fez questão de afirmar que o efetivo de 160 homens, "igual ao de um clássico", era mais do que suficiente para o controle externo do Anhembi. Mas o problema ocorreu na área de responsabilidade da vigilância privada.

Ao ser indagado se houve uma ação orquestrada por várias escolas para "melar" o carnaval, o prefeito afirmou que é preciso esperar a palavra da polícia. "Não é justo penalizar a escola por uma ação de uma pessoa, mesmo um dirigente."

O mesmo argumento foi dado pelo presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira, para não definir punições neste momento. "É como infração de trânsito. Há níveis de faltas: média, grave ou gravíssima. Vai depender da investigação." As penas variam de advertência, multa e suspensão até o banimento da escola. Essa decisão ainda deverá passar pelos Conselhos de Ética e Deliberativo da Liga. As comissões são eleitas pelos 22 associados da entidade e devem ser convocadas ainda hoje.

Racha. Ferreira também evitou comentar ações individuais de diretores - presos ou sob investigação. Sobre as divergências entre os integrantes da Liga, que se reuniram na noite de anteontem para votar se deveria valer o resultado apurado até o quesito Comissão de Frente, Ferreira disse tratar-se de um caso isolado. O fato de a Mocidade ter sido declarada campeã por 7 votos a 5 (dos diretores) também não configura, para ele, um racha no samba paulistano. "Conseguimos as notas de uma jurada (que não haviam sido contabilizadas) e não mudam a classificação. Além disso, todos somos sambistas. Cada um sabe onde sua escola errou."

Ferreira negou que o caso leve a alguma mudança nos desfiles. "Sabemos o mal que foi um racha no passado. Não há mais essa ideia aqui dentro", disse. Até 2011, o carnaval paulista era organizado por duas entidades: a Super Liga e a Liga-SP, com exibições separadas.

De qualquer maneira, a confusão de terça-feira serviu não só para tirar da Liga a responsabilidade pela segurança - também deve estabelecer um novo formato para apuração. "O local agora será definido pela Prefeitura, com a segurança da Prefeitura", afirmou Kassab, destacando que a apuração deverá ser realizada "em recinto, muito provavelmente dentro do próprio sambódromo". O presidente da SPTuris, Marcelo Rehder, disse ainda que as torcidas podem passar a ser credenciadas para entrar na apuração. Ele admitiu, porém, que o ideal seria que o evento fosse realizado apenas com diretorias de escolas e comissões técnicas. / COLABORARAM CAMILLA HADDAD e WILLIAM CARDOSO

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