Prefeitura aprova minibairro na Barra Funda

Como contrapartida, construtora responsável pagará o valor recorde de R$ 121,9 milhões à Operação Urbana Água Branca

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h04

A Prefeitura de São Paulo deu aval para a construção do condomínio Jardim das Perdizes, um minibairro com mais de 30 torres, localizado em um terreno de 250 mil m2 na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste. Para construir 91 mil m2 acima do permitido pela lei, a construtora responsável pagará o valor recorde de R$ 121,9 milhões para a Operação Urbana Água Branca em Cepacs (certificados de potencial construtivo).

Com previsão de abrir 16 ruas e avenidas e ter entre 10 mil e 12 mil moradores, o Jardim das Perdizes será o maior condomínio fechado já construído na capital paulista. O maior hoje é o Portal dos Bandeirantes, em Pirituba, na zona oeste, que tem 27 torres e cerca de 7 mil moradores.

O novo residencial vai manter aberto à população um parque de 30 mil metros quadrados com ciclovia, também como contrapartida pelo impacto causado na região. O minibairro também terá duas torres de uso comercial e pista de cooper.

A autorização para a entrada do Jardim das Perdizes na Operação Urbana Água Branca foi publicada sábado no Diário Oficial da Cidade. O condomínio ficará em uma área equivalente ao tamanho de 30 campos de futebol. Além da Tecnisa, construtora responsável pelo megaempreendimento, integram o negócio as empresas PDG e BV Empreendimentos.

As companhias não divulgam o total do investimento no megacondomínio, mas o Valor Geral de Vendas (VGV) do empreendimento foi calculado em R$ 4 bilhões. O terreno foi comprado da Telefônica, em 2007, por R$ 133 milhões. Antes, era sede do clube da Telesp.

A aprovação de minibairros com apartamentos e escritórios na capital é defendida pelo Secovi (sindicato da habitação) como forma de agregar emprego e moradia em um mesmo espaço. A possibilidade de as construtoras erguerem condomínios como esse será discutida no novo Plano Diretor, previsto para chegar à Câmara Municipal na sexta-feira.

Com a venda de Cepacs apenas para o Jardim das Perdizes, a Prefeitura vai arrecadar 40% de tudo o que entrou no caixa da Operação Urbana Água Branca desde 1995. Outros três empreendimentos aprovados no sábado vão gerar mais R$ 40 milhões à operação. O governo ainda quer revisar essa legislação para atrair mais 60 mil moradores no eixo Lapa-Barra Funda, com a liberação de novos empreendimentos na região.

Congestionamento. Para a Associação Amigos da Vila Pompeia, o Jardim das Perdizes vai estrangular ainda mais o trânsito no Viaduto Pompeia.

"O problema é o volume de carros que será lançado no viário do bairro. O canteiro do meio do condomínio foi seccionado para facilitar a saída dos moradores pelo viaduto, que vai ter um novo semáforo. O trânsito da Avenida Pompeia vai sofrer uma interrupção só para os carros desses moradores entrarem", critica a advogada Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da Associação Amigos da Vila Pompeia.

De acordo com a advogada, os moradores da região querem que os recursos arrecadados sejam investidos em melhorias no bairro. "Só que a revisão da lei que está em curso na Câmara permite que esses recursos arrecadados sejam investidos em outros bairros, como na Freguesia do Ó. Isso não é justo."

A Prefeitura informou que os recursos arrecadados com a venda de Cepacs para o Jardim das Perdizes serão aplicados em sua totalidade na região da Operação Urbana Água Branca, que está em vigor desde 1995, em obras antienchente e melhorias no viário.

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