Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Prefeitura anuncia início das obras de revitalização do Vale do Anhangabaú

Projeto foi elaborado em 2013 e prevê cafés e floriculturas na região; investimento será de R$ 80 mi e manutenção deve ser realizada pela iniciativa privada

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 12h48
Atualizado 10 de junho de 2019 | 22h07

SÃO PAULO - O prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou nesta segunda-feira, 10, o início das obras de revitalização do Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, que vai receber cafés, floriculturas e áreas verdes. A meta é entregar o espaço reformado em junho do próximo ano e o investimento será de R$ 80 milhões. A manutenção deve ser realizada pela iniciativa privada.

O projeto de revitalização do local começou a ser elaborado em 2013, na gestão Fernando Haddad (PT). Em 2014, bancos, decks de madeira, paraciclos e áreas para atividades culturais chegaram a ser instalados na região. A previsão inicial era de que as obras custariam R$ 100 milhões e teriam início em 2016. A verba viria de recursos da Operação Urbana Centro.

"O projeto vem da administração passada e não tinha sentido jogá-lo no lixo. O objetivo é que o Anhangabaú deixe de ser um espaço de passagem e se torne um ambiente de convivência. Vamos melhorar a acessibilidade e a iluminação com foco no pedestre para que as pessoas se apropriem desse espaço de manifestação cultural e política", diz Covas.

O projeto prevê a instalação de 850 pontos de jatos d'água, que poderão ser utilizados como fontes luminosas e se tornar uma atração no espaço.

A realização de shows e eventos e a circulação de pedestres serão mantidas durante as obras. "Não fizemos o fechamento total (do Vale do Anhangabaú). A obra será realizada em etapas", afirma o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Fernando Chucre.

Segundo o secretário, este é um dos 34 projetos do programa de requalificação do centro da capital, que envolve ainda a recuperação dos calçadões do Triângulo Histórico - que compreende as ruas Benjamin Constant, Boa Vista e Líbero Badaró, revitalização do Largo do Arouche, criação dos parques Augusta e Minhocão, assim como o Projeto de Intervenção Urbana (PIU) Setor Central.

Nos próximos meses, a Prefeitura vai debater como será realizada a manutenção após a conclusão das obras, que deve ser feita pela iniciativa privada, e os valores que serão gastos para manter a área conservada.

"Estamos estudando quais os modelos de concessão que poderiam ser adotados, principalmente para a manutenção do equipamento, considerando que ele pode ser utilizado para a realização de eventos, tem 13 pequenas edificações que podem ser exploradas comercialmente e, no entorno, tem uma série de equipamentos públicos que poderiam ser concedidos", afirma Chucre.

Profissionais que atuam com bancas de jornal estão preocupados com o andamento das obras e possíveis transtornos. Eles relatam que as obras tiveram início na semana passada. Nesta segunda-feira, britadeiras e escavadeiras já estavam sendo utilizadas no local.

"Não é só a questão do barulho, mas o tanto que vai demorar. Para a região, a obra pode ser boa. Não sei se vai ser para mim, porque a gente pode ter de sair daqui por causa da obra", diz a proprietária da Banca Anhangabaú Iva Rabelo.

O comerciante Alexandre Franco de Oliveira, de 38 anos, também atua no ramo e diz temer prejuízos por causa da duração do serviço. "A gente foi atrás do engenheiro de obras para se informar e ele disse que vai demorar entre dois e três anos para ficar pronto. Quem tem comércio, vai ter de se movimentar."Em uma placa instalada no local e que contém informações sobre o projeto, o prazo de execução da obra apresentado é de 24 meses. 

A auxiliar administrativo Mariane Nascimento, de 24 anos, trabalha na região há cinco anos e não concorda com a obra.

"Acho desnecessário e era melhor investir em saúde. Aqui é tranquilo. Bastava investir em segurança."

Skatistas também não aprovaram a proposta. "A gente quer que mantenham as características e façam obras para melhorar, porque o Anhangabaú representa muito para a história do skate", diz o skatista profissional Murilo Romão, de 30 anos.

O também skatista profissional Marcelo Formiga, de 36 anos, diz que os skatistas estão interessados em conversar com a gestão municipal sobre propostas para evitar que as áreas usadas por eles sejam afetadas pelo projeto.

"O skate é uma cultura, uma arte. A gente deu vida e segurança para esse lugar. O Anhangabaú é um lugar histórico não só para o skate", afirma.

O analista de redes Frank Henrique Tibúrcio, de 27 anos, gostou da proposta. "Gosto dessa área. Já melhorou bastante nos últimos dois anos, porque era uma região muito largada. Estava precisando de uma obra."

Proposta foi elaborada a partir de debates com diferentes segmentos, diz Prefeitura

Em nota, a Prefeitura informou que a proposta foi elaborada a partir de debates com diferentes segmentos da sociedade e que várias atividades poderão ocorrer simultaneamente, incluindo a prática de skate.

"A requalificação do Vale envolve a criação de um espaço de 787 m² voltado inteiramente para a prática de skate, com obstáculos e percurso para o desenvolvimento do esporte."

Sobre o prazo para conclusão das obras, a SPObras, responsável pelo gerenciamento das obras de requalificação da região, informou que os trabalhos se encerrarão em junho de 2020 e que a placa com o prazo de 24 meses está errada.

"Houve uma incorreção na confecção das placas da obra, que será corrigida. A ordem de serviço para o início dos trabalhos foi dada em 23 de maio." A partir desta quinta-feira, 13, serão iniciadas conversas com os comerciantes e donos de bancas de jornal, segundo a SPObras.

Outras obras de revitalização

Anunciada em 2017 pelo então prefeito e atual governador João Doria (PSDB), a reforma do Largo do Arouche começou no mês passado com um ano de atraso. O projeto foi reduzido, de modo que as obras do Mercado das Flores, que seria restaurado, foram retiradas da proposta e incluídas na segunda etapa do projeto, cuja data de início ainda não foi divulgada.

Toda a obra da primeira etapa vai custar R$ 2,3 milhões, valor arrecadado por cerca de 30 empresas francesas. Os recursos foram captados pela Câmara de Comércio França-Brasil e a Associação Viva o Centro. Ao todo, somadas as intervenções com mobiliário e o custo da obra, serão gastos R$ 3,5 milhões.

A previsão da gestão municipal é de que a primeira etapa das obras seja entregue em quatro meses a partir do início das obras. O local receberá banheiros, boulevard, bebedouros, mais postes de iluminação e bancos, um parque para crianças, uma horta comunitária, uma arquibancada, além de uma base fixa da Polícia Militar e quiosques para a comunidade LGBT e para cuidadores da praça.

No último dia, 1º, Doria anunciou que a capital será o primeiro local a receber o programa SP +Bonito, que tem como foco a revitalização de áreas verdes. Na cidade de São Paulo, 200 áreas foram selecionadas para o projeto. Empresas privadas vão ser responsáveis por serviços de limpeza, poda e manutenção de canteiros.

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