Werther Santana/Estadão
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Prefeitura abre ciclovia da Paulista e testa veto a carros aos domingos

Secretário de Transportes diz que a gestão Fernando Haddad (PT) planeja um 'Parque Paulista', a exemplo do que é feito no Minhocão

Bruno Ribeiro e Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2015 | 02h33

SÃO PAULO - Liberar ambulâncias e viaturas de polícia, cadastrar veículos de moradores para garantir o acesso e acompanhar carros de hóspedes dos hotéis da região. Esses são alguns dos detalhes do plano da Prefeitura para fechar a Avenida Paulista para carros aos domingos, ação que será testada neste domingo, 28, com a inauguração, após seis meses de obras, da ciclovia no canteiro central.

Em entrevista ao Estado, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, disse que o "desejo" da gestão Fernando Haddad (PT) "é fazer com que a Paulista seja aberta para o pedestre todos os domingos", criando uma espécie de "Parque Paulista" - a exemplo do que ocorre com o Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Moradores da avenida e das ruas do entorno já se organizam para evitar o avanço da ideia sem que sejam ouvidos.

De acordo com Tatto, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já tem fechado o esquema para permitir o acesso de veículos especiais, que teriam acompanhamento de marronzinhos para garantir a segurança dos pedestres.

"Nossa avaliação é de que eles (carros autorizados) vão chegar mais rápido do que se tivesse carro nas pistas. A vocação da Paulista é menos 'rodoviarista', menos para o carro, mais para o pedestre, para o transporte não motorizado e o transporte público", diz. "Minha parte é mais a viabilidade técnica, mas nada impede que a Prefeitura faça eventos sem palco."

Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Prefeitura e o Ministério Público Estadual prevê que a administração municipal faça três eventos anuais com estruturas montadas na via por ano. Atualmente, os escolhidos são a Corrida de São Silvestre, o réveillon e a Parada do Orgulho LGBT.

Desvio. Segundo o plano da Prefeitura, o tráfego normal de veículos será desviado pelas Ruas Cincinato Braga e São Carlos do Pinhal, no sentido da Rua da Consolação, e para a Alameda Santos, no sentido do Paraíso. "Você garantindo o uso para carros de emergência, para as pessoas que moram lá ou que tenham garagem, e mesmo atuando na área dos hotéis, é perfeitamente possível fechar aos domingos", diz Tatto.

Reação. Não é bem o que pensam especialistas e moradores da região. O consultor de tráfego Flamínio Fichmann diz acreditar que a medida trará mais prejuízo para quem usa a via como rota de viagem. "É uma medida que terá muito efeito de marketing. Mas a cidade é para todos", diz, defendendo os automóveis.

Conselheira da Sociedade de Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc), a advogada Célia Marcondes espera que os moradores sejam chamados para debater a ideia. "Os governos, que são temporários, não podem tomar essas decisões sem consultar o povo", afirma. "Festa é bom, mas não pode ser feita na porta da casa dos outros. Será preciso fazer uma discussão com os moradores." A associação, segundo ela, recebeu queixas de "dezenas" de condomínios diante da expectativa de as mudanças serem repentinas.

Neste domingo, o fechamento da via será das 10 às 17 horas. A Ciclofaixa de Lazer será montada normalmente, às 7 horas.

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