'Prefeitos não cuidam da causa das doenças'

Quando se fala de esgoto, o Brasil vive no século 19. A avaliação é de Édson Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, entidade que estuda as carências nacionais de saneamento e criou um ranking da situação das 100 maiores cidades do País para marcar o impacto na saúde de crianças de 0 a 5 anos.

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2013 | 02h08

"Os prefeitos não cumprem a Lei de Saneamento, há um jogo de empurra do problema para os governos estaduais, e isso causa impacto direto na saúde da população infantil", explicou Carlos. "Prefeito gosta de fazer posto de saúde, mas não cuida da causa das doenças", diz.

De acordo com Carlos, o problema é também cultural. Os governantes não são cobrados. "Nas eleições, saneamento não aparece entre as cinco principais preocupações. Com isso, os políticos se sentem livres para usar os recursos em outras coisas." Ele conta que pesquisa Ibope encomendada pela entidade mostra que 75% dos eleitores nunca cobraram saneamento. "O brasileiro se acostumou a viver no esgoto." Nos próximos dias, a entidade vai divulgar a atualização dos dados.

Quando o assunto é saneamento, Macapá está entre os piores desempenhos das 100 maiores cidades. Em 2010, era a última colocada no ranking. No ano seguinte, estava também entre as 23 piores cidades na comparação da taxa de internações por diarreia.

Mais descaso. Belém é outro exemplo de descaso. Tem o pior índice de tratamento de esgoto: apenas 1,5% do esgoto gerado. Somente 3% da população tem rede de coleta, segundo o Trata Brasil. Com três obras do PAC no setor de saneamento desde 2008, Belém não deslanchou. Documento obtido pelo Trata Brasil mostra que a recuperação de emissário e estação elevatória central, de R$ 7,5 milhões, foi paralisada com 2% da obra. No caso da instalação e recuperação do sistema de esgoto do centro, orçado em R$ 47,4 milhões, também de 2008, a paralisação ocorreu com 1,5% de andamento.

A mazela é de Norte a Sul. Em Santa Catarina, o índice de rede de esgotos do Estado é de 17,8% e somente 21% do esgoto gerado é tratado. Os melhores resultados que aparecem nas estatísticas do Trata Brasil são do Distrito Federal, que trata 65% do esgoto, e Paraná, com 61%. São Paulo trata 48% do esgoto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.