ALEX SILVA / ESTADAO
ALEX SILVA / ESTADAO

Prefeitos de São Paulo já prometeram desativar Campo de Marte

Haddad e Doria não avançaram em projetos e autorizações que viabilizassem a proposta

Adriana Ferraz e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 20h45

O petista Fernando Haddad e o tucano  João Doria combinavam quando o assunto era Campo de Marte. Ex-prefeitos da capital, ambos prometeram a desativação do aeroporto, mas não avançaram em projetos e autorizações que viabilizassem a proposta. Haddad chegou a enviar pedido oficial à Aeronáutica para tirar a asa fixa de lá e Doria anunciou até data para o fim das operações: 2020. Antes deles, Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB) e até Celso Pitta também cogitaram transformar a área de 2 km², na zona norte da capital, em parque.

Nesta sexta-feira, 30, após o acidente aéreo que matou duas pessoas perto do Campo de Marte, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) disse esperar que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, mantenha as tratativas feitas entre as gestões João Doria e Michel Temer para a desativação do aeroporto. "A Prefeitura, já no ano passado, havia feito a proposta de receber aquele espaço, transformar em um parque. Esperamos agora que o governo eleito possa dar continuidade àquilo que foi combinado com o atual governo, que é a vinda gradual daquele espaço para a Prefeitura e a desativação do aeroporto."

O último capítulo da novela que envolve o aeroporto se deu em agosto do ano passado, quando Doria recebeu o presidente Michel Temer na sede da Prefeitura e firmou com ele acordo no qual a União se comprometeu a ceder 400 mil m² do terreno ao município para um projeto que incluiria a construção de um museu aeroespacial, um parque (em fase de projeto) e, por último, o fim das operações relacionadas à aviação executiva. 

Na ocasião, o tucano discursou favoravelmente à desativação da pista, afirmando que vários aeroportos funcionais em implantação no entorno da capital poderiam fazer o papel do Campo de Marte, que ficaria apenas com a aviação de helicópteros. Mas justamente essa possibilidade de repassar decolagens e pousos de aviões de pequeno porte a aeroportos de outras cidades que sempre empaca qualquer tipo de negociação.

Haddad, por exemplo, chegou a sugerir a transferência dos voos para aeródromos privados em São Roque (em obras) e Embu-Guaçu (em projeto ainda). Ambas as opções, no entanto, exigiriam aos passageiros ou pegar um helicóptero para chegar em São Paulo ou apelar ao carro por estradas, às vezes, congestionadas. Doria também citou São Roque e ainda sugeriu Jundiaí, onde há um aeroporto estadual.

No caso do petista, o argumento para a desativação era seu plano urbanístico para São Paulo. Como no entorno do Campo de Marte não pode haver prédios altos, sob risco de interferir na segurança de pousos e decolagens de aviões, e Haddad se comprometeu a desenvolver a região a partir do chamado Arco do Futuro, o ex-prefeito defendia a desativação e a implantação ali de um novo bairro, aprovado no atual Plano Diretor de São Paulo.

O acidente desta sexta-feira, 30, expõe, mais uma vez, os fracassos das negociações políticas para dar uma nova destinação à área. Com ele, são três os acidentes no período de um ano e cinco meses. 

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