Prefeitos ameaçam ir à Justiça contra pedágios na Dutra

População de cidades no entorno da Dutra já reclama dos congestionamentos ocasionados pela rodovia

Eduardo Reina, O Estado de S. Paulo,

18 de setembro de 2009 | 08h59

As prefeituras e a população do Vale do Paraíba sonham com os benefícios do trem de alta velocidade (TAV) entre São Paulo e Rio, mas poderão ter de arcar com novas praças de pedágio e restrição de circulação, além do aumento no tráfego pelas vias locais. Os prefeitos não descartam até acionar a Justiça para evitar a instalação de praças. "Haverá sérios comprometimentos para as cidades. Aparecida vive do turismo de massa. Mais pedágio vai encarecer até a tarifa de ônibus. Na reunião do Consórcio de Desenvolvimento do Vale do Paraíba, os prefeitos mostraram descontentamento. Vão acionar a Justiça e o Ministério Público", disse Antonio Márcio de Siqueira, prefeito de Aparecida.

Em Jacareí, prefeitura e moradores aguardam desde 2001 o cumprimento de um compromisso assumido pela concessionária, que liberaria o trânsito de veículos com placas da cidade entre os bairros. A praça de pedágio do km 165 corta o município ao meio. Muitos moradores têm de pagar pedágio para levar um filho à escola ou para ir trabalhar. A pendência ainda tramita na Justiça.

Para o secretário de Governo de Jacareí, Pedro Orlando Bonanno, é de se estranhar a hipótese de instalação de mais praças de pedágio na Dutra. "A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) deveria, em primeiro lugar, consultar os municípios que serão diretamente atingidos. No caso de Jacareí, a Dutra é de grande importância estratégica e econômica", comenta.

A população de São José dos Campos reclama dos congestionamentos. Moradores de bairros da zona leste, no km 143, que precisam ir a uma universidade que fica no km 158, demoram pelo menos uma hora para percorrer os 15 quilômetros de distância. A qualquer hora há lentidão, por causa do excesso de veículos.

MARGINAIS

O secretário de Transportes de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira, defende a construção de marginais na rodovia, para o trânsito entre as cidades. "Assim, a estrada entre São Paulo e Rio fica livre. Aí, quem quiser usar a rodovia pagará por isso. É mais justo."

Leandro Barbosa Galvão, que mora em Pindamonhangaba, percorre todo dia 30 quilômetros pela Dutra até Taubaté, para trabalhar numa clínica de estética. Ele acredita que a instalação de mais praças de pedágio vai render protestos. "Ninguém vai querer pagar pedágio para ir trabalhar ou estudar. O povo vai se revoltar", prevê.

Uma alternativa para Galvão é utilizar a Estrada Velha São Paulo-Rio, por dentro de Pindamonhangaba - uma via sinuosa, sem acostamento, que não vai comportar tráfego pesado dos que vão fugir dos pedágios. "Meus amigos moram em "Pinda", trabalham em São José dos Campos e estudam em Guaratinguetá. É o dia inteiro andando pela Dutra", comenta.

"A gente fica parado em São José dos Campos, sem contar na chegada à capital e ao Rio e os problemas na Serra das Araras. Se tiver mais pedágio, piora", afirma o representante comercial Carlos Roberto Donizete, que usa a Dutra pelo menos uma vez por semana, saindo de São Paulo.

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