Prefeito poderá ser liderança paulista do PT

Análise: Marco Antonio Teixeira

CIENTISTA POLÍTICO, VICE-COORDENADOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-SP., O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h02

Apadrinhado por Lula, apoiado por Maluf e saudado pelos companheiros por recolocar o PT à frente da principal capital brasileira, Fernando Haddad vem se firmando como liderança política e ganhando maior autonomia por diferentes razões. Entre elas, estão a tentativa de viabilizar promessas de campanha, a relação promissora com o governador Alckmin e a resistência em acatar pleitos individuais de sua base parlamentar, priorizando negociar apoio com os partidos que lhe apoiam.

É provável, e também legítimo, que Haddad esteja pensando em oito anos de governo ou em projetos políticos ainda maiores. Atualmente, existe um vazio de liderança do PT dentro do Estado. Caso sua gestão acabe bem avaliada pela população, ele provavelmente deverá ocupar esse espaço dentro do partido, em uma tentativa de estabelecer um padrão de confiança com a sociedade paulista que o PT perdeu nos últimos anos.

Contribuirão para isso a realização de promessas de campanha que indiquem uma melhora na gestão da cidade e um legado positivo para São Paulo. Entre as principais, estão a criação da Controladoria-Geral do Município (CGM) - a primeira medida concreta de criação de um aparato institucional voltado para a integridade do governo desde o escândalo da Máfia dos Fiscais no governo Celso Pitta -, ações para enfrentar problemas estruturais em mobilidade e infraestrutura e a universalização do acesso às creches.

Os resultados desse esforços, porém, dependem da sua relação com a Câmara. Até agora, fica a impressão de que Haddad moveu-se dentro do limite aceitável de barganha para garantir apoio: a distribuição de cargos entre os partidos aliados. Todavia, não sucumbiu a pressões individuais de vereadores para lotear as subprefeituras, o que lhe custou uma briga com parte da bancada do PT. Se seu governo enfrentar desconfiança pública, é provável que o custo da manutenção do apoio político possa aumentar e o limite aceitável da barganha venha a ser ultrapassado. Isso poderá trazer dificuldades para que as propostas saiam do papel e pode se tornar um obstáculo na consolidação da confiança social em relação ao seu governo.

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