Prédios terão 8 mil vagas de garagem

Contrapartidas viárias exigidas são nova ponte e alargamento de trecho da Marginal

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h01

Instalado do lado de dois dos corredores mais congestionados da capital, a Marginal do Pinheiros e o eixo formado pelas Avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Doutor Chucri Zaidan, o Parque da Cidade terá pelo menos 8 mil vagas de estacionamento.

Responsável pelo projeto, a Odebrecht Realizações Imobiliárias cita intervenções prometidas pelo poder público como medidas capazes de reduzir o impacto no trânsito. Na lista estão a extensão da Linha 5-Lilás e a construção do monotrilho do Morumbi, ambas em obras, além da modernização da Linha 9-Esmeralda, da CPTM.

O investimento exigido da construtora, por enquanto, se limita a melhorias viárias. Até a conclusão do complexo, a OR terá de promover, por exemplo, o alargamento de um trecho da Marginal, a construção de uma nova ponte sobre o Rio Pinheiros e a instalação de sinalização mais moderna.

Para o arquiteto e urbanista Antonio Claudio Fonseca, professor do Mackenzie, as exigências são tímidas. "O impacto de um empreendimento desse tipo é extraordinário, e não se mede em metros quadrados. Está na hora de a Prefeitura esquecer essa ideia de contrapartida rodoviarista, que só favorece o carro, e cobrar melhorias urbanísticas, como novas creches, teatros e parques na região", diz. "E mesmo que as obras sejam direcionadas ao trânsito, não há nada que impeça que elas deem prioridade ao transporte público."

O diretor de construção de São Paulo da Odebrecht, Paulo Aridan Mingione, não descarta a possibilidade de os recursos serem transferidos para o monotrilho, por exemplo, ou mesmo para a criação de um corredor de ônibus. De acordo com a lei dos polos geradores de tráfego, a mudança é permitida, desde que o limite de investimento não passe de 5% do valor da obra.

Para moradores do bairro, o porte do empreendimento preocupa sob o aspecto da mobilidade urbana. Presidente da Associação de Empreendedores e Moradores do Brooklin (AEMB), Ademar Távora afirma que o trânsito local já é bastante carregado e deve piorar. "O complexo pode ser favorável à região, mas desde que se adote um amplo conjunto de medidas que reduzam o impacto no tráfego, além, é claro, de investimentos em transporte público." O endereço abrigou durante 57 anos a fábrica de bicicletas da Monark, hoje instalada em Indaiatuba, no interior.

Polêmico, o projeto tem como estratégia agradar e integrar moradores do bairro: um espaço gourmet, dividido em três blocos de restaurantes e bares, além de cinema e teatro no shopping anexo. A área verde também será um atrativo. Aberta 24 horas, funcionará como parque em um bairro carente de verde./ADRIANA FERRAZ

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.