Jonne Roriz
Jonne Roriz

Prédios de Santos caem à espera de reformas

Projeto lançado há 8 anos pela prefeitura não foi suficiente para revitalizar centro histórico

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2011 | 00h00

Imóveis do centro histórico de Santos estão despencando à espera da adesão de donos e patrocinadores ao Alegra Centro, projeto de revitalização lançado há oito anos pela prefeitura.

Atrás de fachadas com características da arquitetura do século 19 e de pequenos prédios do século 20 que lembram palacetes, famílias se aglomeram em cortiços e quartos são usados para prostituição. Alguns perderam telhados e paredes e estão tomados pela vegetação. Vários dos que abrigavam comércios estão fechados.

Ao lado do porto, o centro marcou o surgimento da cidade. Com os anos, a população migrou para a orla, onde hoje sobem espigões de 30 andares. O desenvolvimento contrasta com o centro, que vive a expectativa de um novo impulso de revitalização com a instalação da nova sede da Petrobrás, em breve.

Desde que o Alegra Centro foi lançado, 431 imóveis entre 1.805 listados receberam obras de conservação ou restauração. Entre os 889 prédios de relevância histórica e cultural, foram concedidas 287 isenções fiscais - a prefeitura não informou para quantos imóveis. A modalidade patrocínio, um dos incentivos, só foi aproveitada em dois locais.

Os prédios revitalizados se concentram na parte mais nobre da região, em ruas como a 15 de Novembro e do Comércio. O local é próximo de escritórios e da prefeitura, que enterrou a fiação e deu nova iluminação ao trecho, o que ajudou a convencer os proprietários a investir. Cortiços viraram bares e casas noturnas. Quem anda em outras áreas do centro, porém, depara-se com a degradação. Na Rua Senador Feijó, a fachada de um sobrado despencou. O imóvel em frente, também histórico, sofreu incêndio. Até prédios mais novos têm problemas - em janeiro, a marquise de um matou um homem.

Mas o secretário de Planejamento de Santos, Bechara Abdalla Pestana Neves, avalia o programa de forma positiva. Segundo ele, com a retomada da economia, o projeto tem conseguido reformar imóveis. O número de empresas subiu 46% e hoje é de 5.648. O número de imóveis fechados caiu 62%.

A Secretaria de Edificações e Obras afirma que os dois imóveis que tiveram problemas neste ano já tinham duas intimações e receberam multa. E 19 foram intimados a recompor fachadas.

Moradias. A revitalização do centro entrou em nova etapa há 5 meses, com o Alegra Centro Habitação. A prefeitura se reuniu com donos e espera que, com incentivos, eles reformem os imóveis. Até agora, porém, não houve adesões.

Cerca de 14 mil pessoas vivem em cortiços, onde a insalubridade impera, segundo a Associação de Cortiços do Centro. A presidente, Samara Conceição, divide um com outras 20 pessoas. "Escutamos promessas há anos, e nada", diz, falando de descaso.

No momento, moradores constroem 180 apartamentos com verba federal e uma parcela estadual. A prefeitura diz que apoia o projeto e mudou o zoneamento para que fosse executado. / COLABOROU FLÁVIA TAVARES

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