Thiago Teixeira/AE
Thiago Teixeira/AE

Prédios da CDHU têm dívida de R$ 34 mil de água

Sabesp cobra dos novos moradores conta da época da construção do conjunto habitacional; estatal promete quitar hoje o débito

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2011 | 00h00

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) entregou um conjunto habitacional em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo, com uma dívida de R$ 34 mil em contas de água, feita durante a construção, entre janeiro de 2009 e abril de 2010. As 112 famílias que vivem no local correm o risco de ficar com as torneiras secas.

Iniciada em 2006, a obra das quatro torres do conjunto N10 atrasou pelo menos dois anos e só foi entregue em abril do ano passado, com uma série de problemas estruturais, como rachaduras e falta de pintura. Até hoje também não tem Habite-se, o que impede, por exemplo, que as famílias tenham telefone.

Algumas contas ultrapassam R$ 6 mil. Funcionários da empresa estiveram no conjunto pelo menos três vezes para cortar a água, mas foram impedidos pelos moradores. "Nós já fomos pelo menos quatro vezes na CDHU reclamar dessa cobrança, mas nunca resolveram nem explicaram nada", reclama o aposentado Jackson Silva Serra, de 57 anos. "Estamos desesperados. Já dei banho nas crianças e ficamos só esperando eles virem. Só vamos ficar tranquilos quando isso for pago", completa a dona de casa Gilmara Serafim, de 32 anos, que mora com o marido e três filhos no apartamento de 46 m².

Depois de ser procurada pelo Estado, a CDHU prometeu pagar a dívida ainda hoje. Mas afirmou, em nota, que não é responsável pela dívida. De acordo com a empresa, as contas relativas ao período da obra deveriam ter sido pagas pela Associação dos Moradores da Comunidade 7 de Setembro - entidade com a qual a estatal firmou convênio para a construção do conjunto em sistema de mutirão. O valor teria sido repassado à associação, que não pagou a Sabesp. Responsável pelo acompanhamento dos trabalhos e pela supervisão dos serviços, a CDHU promete agora cobrar a conta da associação. A reportagem não conseguiu contato com representantes da Associação 7 de Setembro.

Questionada, a Sabesp informou que as negociações para quitação já se estendem há meses e em janeiro de 2009 foi efetivado acordo com a Concremat - construtora contratada para gestão da obra. O acordo foi rompido e nenhuma parcela foi paga, segundo a Sabesp. A construtora não reconhece a dívida e diz não ter conhecimento do acordo.

Não é a primeira vez que a CDHU entrega um empreendimento com dívida. O conjunto N13, também em Embu, teve a água cortada em setembro, por causa de um débito de R$ 12 mil referente ao período da obra. Depois do corte, moradores fizeram acordo com a Sabesp e parcelaram a dívida. Após acionarem um advogado, conseguiram que a CDHU pagasse R$ 8.289, equivalentes a 13 parcelas. A companhia diz aguardar apresentação dos comprovantes de pagamentos já feitos pelos moradores para providenciar o reembolso das primeiras sete parcelas.

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