Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Prédios da capital paulista já adotam rodízio de água

Com medo de que falte água em horários de pico, condomínios fecham o registro geral durante parte do dia

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Os cortes noturnos no abastecimento público e a busca por maior economia de água levaram condomínios de São Paulo a adotar racionamento declarado. Síndicos de prédios na capital paulista já estão fechando o registro geral dos edifícios durante parte do dia com medo de que falte água nos horários de pico de consumo, como no início da manhã e da noite.

A aposentada Ivete Alves Jean, de 65 anos, síndica de um prédio com 98 apartamentos na Vila Carrão, na zona leste, diz que raciona água nos dias em que o abastecimento demora a voltar. “Há um mês a gente tem sentido essa redução da água. Desligam às 22 horas e só volta às 9 horas. Quando a gente percebe que demora mais para voltar e o nível da caixa já está muito baixo, comunica os moradores e fecha a água para economizar”, afirma Ivete.


Ela diz que, desde o anúncio da crise hídrica paulista, em fevereiro, tem reduzido o gasto com água do condomínio, mas a economia alcançada pelos moradores ainda não chegou aos 20% que garantem o desconto de 30% na conta da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). 

Ivete reduziu a rega do jardim, a lavagem das áreas sociais e até recomendou aos moradores que evitassem dar mergulhos na piscina para que a água fosse perdida e tivesse de ser reposta. “Não vai ter jeito. Semana que vem tem assembleia e vou propor fechar a piscina. O desperdício é muito grande.”

Moradora do prédio de Ivete, a aposentada Janete Lameirinha, de 79 anos, aprova a iniciativa. “Tem de ser desse jeito porque a gente vê que a situação só está piorando”, disse. “Como eles avisaram antes (sobre o racionamento), enchi dois baldes e uma jarra caso necessário e não tive problema”, completou Janete.

Síndico de um prédio em Perdizes, na zona oeste, o aposentado Décio Dalla Martha, de 79 anos, começou nesta semana a desligar a água do prédio entre 14h30 e 17 horas, após colocar um aviso no corredor. “Estamos numa campanha para economizar água, não é? Ninguém foi pego de surpresa. O objetivo é colaborar mais. Acho que isso ajuda a conscientizar mais as pessoas”, afirmou o síndico. Segundo ele, a economia de água, que já atingiu a meta do bônus da Sabesp, caiu um pouco no último mês. “Vamos ver se volta ao patamar anterior com o racionamento.”

Para o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do sindicato da habitação de São Paulo (Secovi-SP), Hubert Gebara, a eficácia do racionamento nos prédios residenciais depende do padrão de comportamento de cada condomínio. “Não há nenhum impedimento legal. O síndico só não pode fazer isso unilateralmente. Tem de convocar uma assembleia, expor a situação e aprovar a medida por maioria”, disse Gebara. Ele é favorável a outras medidas para redução de consumo em prédios, como a instalação de hidrômetros individualizados. “Isso pode reduzir em até 35% a conta de água.”

Questionada sobre o racionamento feito por condomínios, a Sabesp informou, em nota, que “toda iniciativa positiva e racional de economia de água é importante para ajudar a aliviar a demanda dos principais mananciais afetados pela falta de chuva”. A companhia nega que haja racionamento nas 364 cidades onde opera e diz que a prática na rede de distribuição prejudica os mais pobres e pode danificar as tubulações.

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