Prédios com fiação exposta e goteiras

Alunos reclamam de choques elétricos

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2013 | 02h01

Fios soltos, rachaduras, infiltração e falta de extintores são as principais reclamações de estudantes, professores e pais de alunos das escolas estaduais da capital. Dois colégios visitados ontem pelo Estado apresentavam irregularidades.

Na Caetano de Campos, na Praça Roosevelt, no centro, onde as salas de aulas têm chão de madeira, até há hidrantes, mas nenhum deles tem mangueiras - dentro de um deles foi encontrado um saco de lixo preto. O problema existe desde 2008, quando a escola foi vistoriada pela Prefeitura e já tinha hidrantes sem mangueira.

"Tem corredor que não tem extintor nenhum. Ficamos sempre com medo de acontecer alguma coisa", disse a estudante Giovana Lima, de 16 anos.

Já na fachada da Escola Estadual Conselheiro Antonio Prado, na Barra Funda, zona oeste, havia rachaduras e fios de energia soltos perto do chão. Vistoria da Prefeitura, em 2007, alertava que a rede elétrica precisaria passar por reformas.

Outra reclamação frequente dos alunos são as infiltrações. No período de chuvas, em algumas escolas os estudantes têm de trocar de sala por causa das goteiras. "Na minha escola, quando chove muito, tem sala que fica com o chão todo molhado e a turma tem de sair de lá", afirma a estudante Karoline Tortul, de 16 anos, que cursa o 2.º ano do ensino médio na Escola Tito Prates da Fonseca, na Vila dos Andrades, na zona sul.

Situação semelhante vive Beatriz Storer Nuñez, de 16 anos, que está no 2.º ano do ensino médio, na Escola Estadual Ibrahim Nobre, em Interlagos, na zona sul. "A sala onde tenho aula de Matemática tem o teto com a tinta descascada e, quando chove, fica com goteira. Há vezes em que não dá nem para se concentrar, porque fica o barulho da gota caindo." Ela explica que a solução encontrada pelos funcionários é colocar baldes onde as goteiras caem.

Eletricidade. Já Gabrielly Rodrigues Moraes, de 13 anos, que cursa a 7.º série da Escola Estadual Martin Egidio Damy, na Brasilândia, na zona norte, já viu uma amiga levar um choque quando encostou em fios expostos perto de um bebedouro. "O fio desencapado fica no lugar da tomada." A mãe de Gabrielly, a balconista Elaine da Silva Rodrigues, de 40 anos, disse que a informação sobre a segurança do prédio e os alvarás é um assunto que não é repassado aos pais. "Fico preocupada porque a minha filha passa mais de cinco horas diariamente na escola. Vou questionar a diretora sobre se lá há ou não esse documento. A falta dele põe em risco a minha filha e os filhos dos outros pais, além dos professores e funcionários."

Os professores também demonstraram preocupação com a falta de alvarás. Segundo a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, não são novos os relatos de alunos que levaram choque porque o quadro de luz estava exposto e até de muros que cederam e caíram sobre estudantes. "É uma negligência que, mesmo após anos de questionamento do MP e vistorias que apontavam irregularidades, a Secretaria de Estado não tenha feito nada."/ B.F.S.

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