Prédio vizinho a desabamento reabre

Defesa Civil do Rio autoriza que condôminos e funcionários do Edifício Capital recolham documentos, equipamentos e outros objetos

ALFREDO JUNQUEIRA , PEDRO DANTAS , RIO, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h03

Uma semana após o desabamento de três prédios no centro do Rio, o acesso ao Edifício Capital, o único prédio vizinho que continuava interditado, finalmente foi autorizado ontem pela Defesa Civil. Por volta das 18 horas, donos, condôminos e funcionários dos escritórios instalados no edifício foram até suas salas para recolher documentos, objetos de valor e equipamentos. Os grupos foram divididos por andares e puderam ficar apenas dez minutos.

Visitantes transportaram computadores e pastas. Apesar do transtorno, muitos falavam do alívio por terem escapado da tragédia. "Quando você vê as pessoas morrerem, isso também te mata um pouco. Estou morrendo de medo de voltar, mas o compromisso com meus clientes é mais forte", disse a advogada previdenciária Maria Oneide Fernandes, que estava no 18.º andar do edifício quando os vizinhos desabaram.

Ela foi resgatada de sua sala três horas depois e ontem voltou para buscar carteiras de trabalho de clientes que estão se aposentando. "Estou tremendo, suando, como se tivesse feito sauna. É um esforço tremendo."

Primeiro condômino a chegar à portaria do prédio para tentar entrar em sua antiga sala, o também advogado Oscarino Arantes contou o desespero do dia do desabamento. Ele havia saído do prédio com a noiva, Antonia, cinco minutos antes do acidente. "Na hora, a gente pensou que nosso prédio também ia cair."

Nem todos os condôminos conseguiram entrar em seus escritórios. Todas as salas localizadas entre o 5.º e o 9.º andares do bloco 1, o mais próximo do prédio que desabou, continuam obstruídas por entulho e serão liberadas somente no domingo.

"Desabou a parede ao lado da minha sala, por isso não consegui entrar. Estou sem dinheiro, me preparando para jogar bolinha no sinal", disse o advogado Paulo Bandeira, cujo escritório funciona no 6.º andar.

"Tirei só o necessário, documentos e computadores, para prestarmos conta aos clientes", disse o contador João de Almeida Leite, sócio de um escritório de contabilidade que funciona no 5.º andar. Com funcionários, ele carregou quatro computadores, dois monitores e cinco sacolas com documentos.

Segundo a síndica do prédio, a advogada Terezinha Diniz, o acesso às salas continuará liberado nos próximos dias, entre 18h e 21h. O Edifício Capital será reformado e deverá estar pronto em 30 dias, se a seguradora liberar logo os recursos. Inaugurado em 1952, o imóvel tem 221 salas, uma sobreloja e dois restaurantes.

Por volta das 18h, funcionários de escritórios do Edifício Octávio Novál, vizinho do Edifício Capital, deixaram o imóvel assustados, alegando terem ouvido estalos. Mas a Defesa Civil afirmou que não havia nenhum risco e muitos voltaram às suas salas. O clima no local, no entanto, era de apreensão.

Buscas. A Defesa Civil não tem previsão para encerrar a busca pelas cinco pessoas que continuam desaparecidas. Ontem, cerca de 20 bombeiros vasculharam manualmente uma área nos fundos do Edifício Liberdade. Dois dos corpos recolhidos continuam sem identificação. Dez pedaços de corpos foram achados no terreno para onde estão sendo levados os entulhos. Por causa do avançado estado de decomposição, serão submetidos a exame de DNA.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.