Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Prédio perde 14 das 16 famílias em apenas 1 ano

'O cheiro de maconha impregna dentro de casa o fim de semana inteiro', diz aposentada

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2014 | 18h30

Durante o dia, o trecho da Rua Peixoto Gomide entre as Ruas Augusta e Frei Caneca é uma via comercial como as outras da região da Avenida Paulista, com prédios residenciais, lojinhas de roupas descoladas e comerciantes antigos, como um alfaiate instalado há 50 anos e um sapateiro que trabalha e mora ali desde 1959. Mas muitos querem ir embora.

De um único prédio, 14 das 16 famílias que moravam no início de 2013 se mudaram. "Muita gente já idosa, que estava aqui desde a mocidade, se mudou, o barulho à noite se tornou insuportável. Nesse calor, o cheiro de maconha impregna dentro de casa o fim de semana inteiro", reclama a aposentada Marly Ferraz, de 71 anos.

Seu apartamento de 72 metros quadrados valia R$ 500 mil no início de 2013. "Hoje ninguém dá mais do que R$ 200 mil. Quem quer morar em rua com ponto de tráfico, cheio de briga toda noite?", pergunta. Ao lado do seu prédio, um outro edifício residencial de três andares tem quitinetes de 33 m² à venda por R$ 131 mil.

O preço dos imóveis no trecho de 100 metros da Rua Peixoto Gomide ocupado por traficantes durante as madrugadas dos fins de semana vive uma queda inversamente proporcional à explosão dos preços de apartamentos na região, no bairro de Cerqueira César. Só na Rua Augusta são 16 empreendimentos em construção, entre novos edifícios residenciais e comércios. O metro quadrado chega a custar R$ 12,5 mil.

A menos de 200 metros da Peixoto Gomide, na altura do número 996 da Rua Augusta, um prédio anuncia quitinetes de 31 m² por R$ 450 mil.

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