Nilton Fukuda/AE–17/11/2011
Nilton Fukuda/AE–17/11/2011

Prédio em Pinheiros causa polêmica

Moradores temem que as 134 vagas do edifício compliquem trânsito de rua calma

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2011 | 03h04

Embora vizinha da movimentada Avenida Brigadeiro Faria Lima, a Rua Coronel Irlandino Sandoval, em Pinheiros, zona oeste, até hoje conseguiu manter casas térreas e um clima de tranquilidade. Mas isso pode mudar. Os moradores estão preocupados com um espigão que será construído na rua: um prédio de 27 andares que trará 134 vagas de estacionamento, o que deve complicar o trânsito pacato da via.

A preocupação se deve ao fato de que a rua não tem saída (ou entrada) direta para a Faria Lima. Assim, os novos moradores do empreendimento terão de cruzar a Irlandino para chegar ao prédio, o que, segundo os vizinhos, trará mais trânsito à região. Para complicar mais, a via estreita é de mão única, e o edifício fica no final da rua.

O empreendimento, da incorporadora Yuny, é de alto padrão: 30 apartamentos, com metragem mínima de 162 m² e máxima de 548 m² (cobertura). A construção usa 7.500 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) - licença emitida pela Prefeitura para construção acima do permitido no limite de zoneamento, emitida para arrecadar fundos para a Operação Urbana Faria Lima.

O empreendimento não é classificado como "polo gerador de tráfego", por ter menos vagas de estacionamento do que o necessário (seria preciso 500), e, por isso, a Prefeitura não exigiu que a incorporadora realizasse nenhuma obra para atenuar os impactos no trânsito, a exemplo do que ocorre em grandes empreendimentos da cidade, como shoppings ou condomínios de várias torres.

A movimentação dos moradores fez com que a Associação dos Moradores dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano (Ame Jardins) se envolvesse na resistência contra o prédio. A entidade está analisando que medidas podem ser tomadas para barrar a obra (ou mitigar os impactos na região) e, por isso, preferiu se pronunciar por nota: "A entidade promoveu ao longo do ano uma série de encontros dos moradores com advogados, arquitetos e urbanistas, visando a orientá-los", diz o texto.

Já a incorporadora Yuny diz que está de portas abertas para receber moradores preocupados com o empreendimento - mas que ainda não foi procurada por ninguém. O diretor de incorporação da Yuny, Fábio Romano, diz que as características do projeto - uso residencial e poucas unidades - servirão para tornar a área ainda mais valorizada. "Com um projeto de alto padrão desse, você valoriza o bairro, a rua, toda a região. Essa coisa do impacto do trânsito, um projeto de alto padrão, com poucas unidades, e que é residencial, não traz impacto nenhum."

"Nosso projeto é icônico, um projeto maravilhoso, com uma série de características de arquitetura que vão virar um marco de beleza na cidade. Às vezes, fica uma nuvem negra, as pessoas não sabem o que a gente está fazendo", argumenta Romano.

A Prefeitura diz, em nota, que não há nenhuma irregularidade na construção do prédio.

 

PARA LEMBRAR

Faria Lima pode ter mais prédios

A Câmara Municipal aprovou anteontem projeto do prefeito Gilberto Kassab (PSD) que permite nova expansão imobiliária na Avenida Brigadeiro Faria Lima e nos arredores, com possibilidade de construção de mais prédios. A proposta ainda precisa passar por outra votação, mas autoriza a venda de mais 452 mil metros quadrados para incorporadoras que quiserem construir empreendimentos em uma das regiões de São Paulo mais cobiçadas hoje pelo mercado imobiliário.

Ao todo, Kassab prevê arrecadar pelo menos R$ 2 bilhões em 2012 com a revisão da Operação Urbana Faria Lima, que foi criada em 1994. Se virar lei, o projeto descongela os "estoques" (áreas disponíveis) para novos condomínios comerciais e residenciais em bairros já saturados, como Pinheiros e Itaim-Bibi, principalmente na Avenida Hélio Pellegrino e no entorno do Largo da Batata. No total, o prefeito quer vender mais 500 mil Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), quase o mesmo número que já foi negociado nos últimos dez anos na região. A nova votação deve ocorrer na terça-feira.

 

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