Prédio do antigo DOI-Codi pode ser tombado

São Paulo foi um dos principais centros de resistência à ditadura militar. Documentos do 2.º Exército mostram que, desde sua fundação até 1977, o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) prendeu na cidade 2.541 pessoas.

O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2012 | 03h01

O prédio do DOI-Codi, na Rua Tutoia, atrás de onde funciona o 36.º Distrito Policial, no Paraíso, foi palco de alguns dos episódios mais sombrios do período, com torturas e assassinatos.

Desde o mês passado, o pedido de tombamento do prédio está sendo analisado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Enquanto não ficar definido se o prédio deve ou não ser tombado, não pode sofrer nenhum tipo de mudança.

Integrantes da Comissão Estadual da Verdade querem a criação de um museu no local. "O prédio do DOI-Codi é o símbolo principal da tortura e dos crimes praticados pela ditadura militar. Nada melhor do que transformá-lo em um memorial contra a tortura", defende Ivan Seixas, integrante da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos.

Atualmente, para registrar atrocidades da época, existe na cidade o Memorial da Resistência, localizado na antiga sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, no prédio da Pinacoteca, no centro. Algumas celas onde ficavam presos políticos foram preservadas no local. Numa parede, é possível ler o pedido de socorro da jornalista Rose Nogueira. "Pegaram meu bebê para me ameaçar." Também há emocionantes depoimentos gravados.

Outros lugares importantes do período da ditadura militar na cidade, como o Presídio Tiradentes, que entre outros presos recebeu a presidente Dilma Rousseff, foram destruídos. / B.P.M.

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