Prédio de 32 andares desaba em Belém

Três operários que trabalhavam no edifício em construção estariam soterrados; duas casas foram atingidas e 7 pessoas ficaram feridas

Carlos Mendes / BELÉM e Bruno Lupion / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2011 | 00h00

Um prédio residencial em construção com 32 andares desabou em Belém por volta das 15 horas de ontem (horário de Brasília). Chovia forte no momento do acidente. Segundo os bombeiros, pelo menos três pessoas ficaram soterradas. Sete pessoas tiveram ferimentos leves.

O edifício caiu sobre os fios de alta tensão. A energia do quarteirão foi cortada por segurança. A estrutura de duas residências e do prédio ao lado foram abaladas - havia risco de outro desabamento. A Defesa Civil e os bombeiros isolaram a área e os moradores tiveram de ir para casas de parentes. À noite, voltou a chover e as buscas foram interrompidas. Soldados permaneciam no local para evitar saques. Cinco pessoas que passavam pela rua e outra que estava em uma casa vizinha foram retiradas com ferimentos leves.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém informou que Isaías Marques Mafra, José Paulo Barros e Manoel Monteiro estariam na obra no momento do acidente. Não há informações também sobre Luís Nazareno Lopes.

A estudante Inara Cavalcanti, de 19 anos, proprietária de um apartamento no oitavo andar do edifício, soube do desastre pela irmã. "Ela me ligou dizendo que o prédio tinha caído e fui lá correndo ver." Segundo ela, o empreendimento teria 34 andares - 30 de apartamentos e quatro de áreas comuns -, dos quais 32 já estavam construídos. Os apartamentos de 122 metros quadrados, com três suítes, custavam em média R$ 500 mil e seriam entregues no fim do ano.

Pânico. Vizinhos disseram que outros prédios tremeram na hora do desabamento. Houve pânico em um edifício de 20 andares, ao lado da obra, onde moradores ouviram estalos e saíram às pressas. Na correria, Maria Lemos de Oliveira, de 52 anos, feriu-se ao ser pisoteada.

Uma das casas atingidas foi a do jornalista Donizetti César, de 58 anos. "Não havia segurança para os operários e nem tela de proteção nos andares." Segundo o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará, a instituição não detectou irregularidade na documentação da obra.

Em nota, a Real Class Construção e Incorporação, responsável pela obra, lamentou o acidente, disse que vai "investigar as causas" e que "está solidária aos possíveis prejudicados".

Impunidade. Em 1987, o Edifício Raimundo Farias, de 16 andares, desabou. Morreram 39 operários. Não houve punição.

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