Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Prédio da Tucumã terá supervizinhos

A polêmica altura que levou à interdição do Villa Europa virou padrão dos novos empreendimentos no bairro; duas torres terão 128 apartamentos

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2011 | 00h00

Duas torres de mais de 30 andares estão sendo construídas no Jardim Europa, área nobre de São Paulo, e tornaram "pequeno" o polêmico edifício da Rua Tucumã chamado de Villa Europa, cuja construção foi interrompida em 1999, na gestão do prefeito Celso Pitta. Um dos argumentos era que o prédio podia interferir na rotas dos aviões para Congonhas, o que depois foi negado por um perito contratado pela Justiça para avaliar a obra.

Se a altura de 117 m do prédio de 31 andares da Rua Tucumã impressionava quem passava pelo bairro, onde há poucas décadas só havia casas, hoje as duas torres são um símbolo do boom imobiliário vivido pelo bairro e concentram as atenções de quem passa pela Marginal do Pinheiros e olha para o alto.

O condomínio leva o nome do endereço: 106 Seridó, dado pela Construtora São José. Corretores informam que os prédios das duas novas torres possuem também 31 andares. No total, serão 128 apartamentos.

Um dos imóveis mais baratos, de cerca de 400 metros quadrados e cinco vagas na garagem, pode sair por R$ 6 milhões. O perfil é diferente do Villa Europa, que apostou nos apartamentos duplex - ali são 15 as unidades. Com terreno mais amplo, o novo empreendimento supera o antigo em largura.

Nova polêmica. O 106 Seridó não vive batalha judicial como a enfrentada pelo edifício vizinho da Rua Tucumã. Mas isso não significa que ele agrade a todos.

Moradores do bairro reclamam dos transtornos trazidos pela obra e da mudança do perfil do bairro. Vizinho ao Esporte Clube Pinheiros e à Avenida Brigadeiro Faria Lima, o Jardim Europa não conseguiu manter sua característica de bairro de casas como o Jardim América.

Para a associação Ame Jardins, o boom imobiliário descaracterizou o Jardim Europa. "É um bairro com um papel ambiental importante na cidade. Com esses empreendimentos, o trânsito é cada vez maior, e o impacto inevitável", afirma o presidente da associação, João Maradei.

Um dos primeiros prédios a aparecer no Jardim Europa tinha três andares. Um de seus moradores, Luiz Ramos, de 44 anos, reclama do ruído que as novas obras trouxeram. "Tive de fazer dois boletins de ocorrência", conta. Ainda segundo ele, rachaduras apareceram após o início da construção dos espigões.

Nos anos 1980 e 1990, o bairro ganhou edifícios de altura mais baixa que a atual. A Operação Urbana Faria Lima surgiu em 2003 para impulsionar a verticalização. Comerciantes comemoram o boom. "É mais gente de alto padrão consumindo", diz o dono de banca Ponciano Hipólito.

Casas. Para o urbanista Jorge Wilheim, a falta de terrenos e a demanda cada vez maior, com o crescimento do poder econômico da classe C, faz com que as construtoras atendam a demanda comprando casas para construir empreendimentos. Ele afirma ser importante criar espaços públicos novos. Parte dos lotes em bairros que ganham muitos veículos com o boom imobiliário deveriam ser cedidos para ampliação das ruas, defende.

A Construtora São José não comentou as queixas em relação ao 106 Seridó e não forneceu detalhes sobre a altura do edifício. Procurada, a Aeronáutica disse na sexta-feira não ter tido tempo hábil para verificar se as novas torres afetariam a aviação.

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