Prédio ameaçado ficará fechado por até 40 dias

É o tempo previsto para as obras de emergência no edifício do Itaim-Bibi que teve de ser abandonado pelos moradores porque corre risco de cair

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2012 | 03h03

Os moradores do Condomínio Ivany, no Itaim-Bibi, zona sul, podem ter de ficar mais de um mês fora de seus apartamentos. O prédio corre risco de desabar e as obras emergenciais na estrutura do edifício começaram na noite de anteontem e podem durar de 15 a 40 dias, segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.

A Defesa Civil passou a madrugada acompanhando as obras. "Trabalhos de recuperação tiveram continuidade na madrugada. Nós já percebemos que a estrutura está ficando bem segura. Mas você tem o problema do tempo de cura do cimento que está sendo colocado", disse o coordenador-geral do órgão, coronel Jair Paca de Lima. Segundo ele, os prédios vizinhos não correm riscos.

O prédio teve três colunas de sustentação abaladas por reformas no subsolo do prédio, realizadas pelo Hospital São Luiz. Após tremores que chegaram a derrubar uma moradora da cama, a Defesa Civil interditou o local anteontem. "A interdição é importante para não termos ocorrências com acidentes, muito menos com vítimas", afirmou o secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo.

Para reabrir, os responsáveis pelo condomínio terão de apresentar laudos que garantam a segurança do lugar, acompanhados de anotação de responsabilidade técnica, ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). A Assessoria de Imprensa do órgão informou que técnicos visitaram as obras ontem.

Enquanto a reforma não termina, parte dos condôminos que não tinha para onde ir ficará no Hotel Mercury, perto do prédio interditado. A consultora de vendas Patrícia Loyolla, de 42 anos, disse que o hospital informou que o São Luiz arcaria com 30 dias de hospedagem, tempo previsto para as reformas. "É muito transtorno, porque a vida muda completamente quando não se está em casa."

Ela afirma que a Defesa Civil permitiu ontem que os moradores pegassem pertences no prédio. "Deram só três minutos. Subi para pegar umas coisas. E quem precisa pegar mais coisas só pode até domingo. Depois, será proibido", disse.

Outra moradora que está hospedada no hotel conta que, mesmo com o hospital pagando as diárias, há gastos extras. "Quando você está em casa, está acostumada a fazer almoço, jantar. Aqui isso não é possível", afirma ela, que não quis ter seu nome divulgado. A moradora diz ainda que atividades como lavar e passar roupa também se tornaram impossíveis dentro do quarto de hotel.

O Estado procurou ontem a Assessoria de Imprensa do Hospital São Luiz para obter detalhes das obras e sobre a assistência aos moradores, mas a entidade não se manifestou. Anteontem, em nota, o hospital afirmou que o prédio precisava de melhorias na estrutura e a entidade se propôs a contratar uma empresa que faria a obra. Os moradores discordam dessa versão.

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