A mesma alta na procura por hotéis em São Paulo que empurra os hóspedes para a Região Metropolitana tem outro efeito colateral: o aumento no preço das diárias. Em comparação com o ano passado, os preços na capital subiram 20% e o valor da diária média atingiu R$ 246,26 em junho, segundo dados da São Paulo Turismo (SPTuris). No ABC, o aumento também existiu, mas foi menor – 5%.

22 Outubro 2011 | 17h44

Apesar de também estarem ficando um pouco mais caros, o ABC e Guarulhos ainda têm hospedagens mais em conta que a capital – R$ 170 é o valor médio. São Paulo, que sempre foi conhecida por oferecer quartos a preços razoáveis, hoje perde apenas para o Rio, que cobra em média R$ 328 por noite. “Hoje se pagam R$ 250 em um hotel mediano de São Paulo. Há cinco anos, isso era preço de hotel de luxo”, diz a administradora Tricia Neves, sócia da Mapie, que presta consultoria para a rede hoteleira.

A exemplo da capital, que tem diárias mais caras de segunda a sexta, a Região Metropolitana também tem vocação para o turismo de negócios: de acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC (Sehal), Wilson Bianchi, é possível encontrar um hotel de médio padrão por até R$ 120 nos fins de semana naquelas redondezas, uma economia de quase 30% em relação aos dias de semana.

No Caesar Park de Guarulhos, um pernoite de R$ 267 entre sábado e domingo passa para R$ 325 a partir de segunda-feira. “A quantidade de eventos em São Paulo é que traz as pessoas para cá. Na mesma semana, às vezes tem três feiras, uma competição e um show internacional”, diz Manuel Galán, diretor dos hotéis Caesar em São Paulo.

Movimentação. A cada ano, 90 mil turistas visitam São Paulo e região por causa de feiras e eventos corporativos, ou um a cada seis minutos. A estimativa é do superintendente da São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando. “E a Grande São Paulo também acaba sendo favorecida por esse cenário”, diz.

Não à toa, dados da SP Turis mostram onde a ocupação de hotéis de categoria econômica em São Paulo é maior, chegando aos 80% na zona norte, onde também estão os grandes pavilhões de exposição.

Na cidade, a média é de 75%, chegando facilmente aos 100% em semanas movimentadas. De hoje até 31 de outubro, por exemplo, a cidade vai receber nada menos que 55 eventos, de seminário de Engenharia a congresso de Fonoaudiologia. “Já fizemos acordo com algumas feiras para mandarem gente para cá também”, diz a gerente de vendas do Hotel Matiz de Guarulhos, Andréa Chalub.

Espaço. Outro fator apontado para a escassez de hotéis em São Paulo é a falta de terreno – e o altíssimo preço para se construir neles. “A oferta é limitada e os preços são supervalorizados. Para piorar, em muitas regiões não se pode construir prédios muito altos, o que é ruim para a rede hoteleira, que precisa de mais apartamentos para se viabilizar”, explica Roberto Rotter, presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil.

Os terrenos são tão caros que, segundo Tricia Neves, a conta não fecha. “Por isso fazem tanto prédio empresarial onde se poderia fazer hotel. O retorno é mais rápido.” A solução a médio prazo, ela diz, é a hotelaria começar a se desenvolver para outros lados que não os das Avenidas Paulista e Engenheiro Luís Carlos Berrini. “Como a Vila Leopoldina, que tem um grande potencial.

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