Precisamos urgente de bom senso e negociação

O confronto do fim de semana entre a Polícia Militar e manifestantes foi um divisor de águas. Além de dezenas de presos, inúmeros feridos e um rapaz baleado, deixou a certeza de que o movimento das ruas está longe de acabar. Também aumentou o ódio entre jovens e policiais, que nunca foi tão forte desde o fim da ditadura militar.

ANÁLISE: Guaracy Mingardi, analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2014 | 02h06

Dois fatores contribuíram para agravar o conflito: a atitude dos que transformam as manifestações em quebra-quebra e a violência utilizada pela polícia. Sem a ação dos black blocs e a pancadaria da PM nas primeiras manifestações, possivelmente os protestos teriam diminuído aos poucos ou tomado uma feição mais pacífica. Como isso não aconteceu, estamos agora no meio de uma crise de segurança extremamente violenta, com tendência a piorar.

O caso do garoto baleado vai servir de estopim. Os policiais vão reafirmar que ele estava armado com um estilete, os amigos vão dizer que é mentira, e cada lado vai se aproveitar do caso para insuflar suas hostes. O que é um problema sério no curto prazo, afinal temos a Copa do Mundo em junho. E mais sério ainda no médio e longo prazo, porque nada impede que esse estranhamento entre os jovens e a polícia continue por anos.

Para amenizar o problema é necessário iniciar um diálogo a sério, com o governo representado por pessoas com poder decisório e não fardadas, e os grupos que protestam. Precisamos urgente de bom senso e negociação, antes que algum PM ou manifestante morra e a situação fique incontrolável.

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