WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

'Precisamos sair dessa mais humanos e solidários'

O líder comunitário Gilson Rodrigues destaca a rede de solidariedade criada em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A pandemia impôs barreiras a uma das principais características da comunidade. "Sentimos falta da proximidade", diz

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2021 | 05h00

Paraisópolis tem sido um exemplo de enfrentamento da pandemia do coronavírus. Na comunidade da zona sul de São Paulo, foi criado aquilo que pode ser chamado de rede de solidariedade. "A cada 50 casas, nós indicamos um presidente de rua - a pessoa responsável por ajudar a população a tentar manter protocolos de distanciamento e higiene. São 758 presidentes de rua, que também lutam pela saúde e educação dos seus vizinhos", disse o líder comunitário Gilson Rodrigues, 36 anos." Muita gente dizia que tinha tudo pra dar errado aqui em Paraisópolis. Mas esse foi um dos fatores do nosso sucesso no combate à pandemia", completou.

"As favelas não foram as mais olhadas nesta pandemia, pouco foram citadas nos discursos. Muita gente não entendia o que significava lockdown ou home-office. Mas a maioria descobriu que a visibilidade e nossa força se dá por meio de ações práticas", comentou o líder comunitário.  

Rodrigues contou que as ações culturais na comunidade foram as mais impactadas pelo vírus. "Temos o projeto da orquestra, do balé e da nossa escola de samba de Paraisópolis. Tivemos que parar por um período, mas, utilizamos tecnologia para manter alguma atividade. Agora, vamos, aos poucos, retomar os eventos presenciais", disse.

Rodrigues afirmou que a pandemia, temporariamente, impôs barreiras a uma das principais características da comunidade que representa. "Sentimos falta da proximidade, de bater na porta do outro para pedir açúcar. Somos uma comunidade muito nordestina, sentimos falta das festas, do São João e do carnaval", contou.

Mas para o pós-pandemia, Rodrigues quer mais do que diversão, ele quer que o exemplo da luta de Paraisópolis pela vida seja um fator de "união do Brasil". " A gente só sai da crise juntos. Somos todos brasileiros e precisamos sair dessa mais humanos e solidários", disse.

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