'Precisamos fechar as brechas entre os esforços e a meta'

É isso o que a secretária executiva da COP espera como um dos resultados das negociações entre os países na Polônia

Entrevista com

GIOVANA GIRARDI , VARSÓVIA, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2013 | 02h09

A primeira semana da Conferência do Clima da ONU, em Varsóvia (Polônia), foi marcada pelo impacto do tufão nas Filipinas e por declarações de que a tragédia poderia trazer um despertar para negociações. A secretária executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres, falou ao Estado sobre isso e sobre o que é possível esperar de Varsóvia e de Paris, daqui a dois anos, quando os negociadores terão de entregar um novo acordo climático global - que entre em vigor em 2020.

A senhora considera que tragédias como a ocorrida nas Filipinas com o tufão Hayan estão tendo algum impacto na COP de uma maneira mais concreta?

Parece-me que evidências dos impactos das mudanças climáticas, muito recentemente nas Filipinas e no sul asiático e no ano passado nos Estados Unidos - a lista é enorme -, estão colocando a cara humana nessa negociação. Esses casos trazem uma sensação de imediatismo às discussões e enfatizam o custo humano. Espero que signifique que consideraremos isso (nas negociações) com seriedade e mais celeridade. Porque aqui o que faz falta é a velocidade nas decisões.

Qual é o papel da América Latina nessas negociações?

A América Latina tem vários papéis. É o continente que tem mais energia renovável e muitos países com cobertura florestal, principalmente o Brasil. Além disso, grande parte de sua população vive em áreas costeiras, portanto vulneráveis ao aumento do nível do mar. Daí a urgência de mitigar e investir em adaptação.

Para a senhora, quais devem ser os acordos mínimos que devem sair de Varsóvia e de Paris?

De Varsóvia, há três temas mais importantes para o caminho até Lima (onde ocorre a COP do ano que vem) e depois a Paris (2015). O primeiro é como os países industrializados vão mobilizar os US$ 100 bilhões anuais que estão comprometidos a entregar a partir de 2020. A obrigação é só a partir daquele ano, mas não se vai chegar a esse valor do dia para a noite, então tem de construir desde já. Em segundo, já há um acordo de que vai ser criado um mecanismo de perdas e danos (para países que estão sofrendo as consequências das mudanças climáticas). Em terceiro, temos de sair de Lima com um rascunho muito avançado do acordo. Então, temos de chegar lá já com uma proposta de rascunho.

E de Paris qual seria um acordo mínimo?

Primeiramente tem de recorrer a todos os esforços que já estão sendo feitos em muitos países para fazer frente à mitigação e à adaptação. Reconhecer tudo o que está sendo feito dentro dos países e ao redor do mundo, quantificar e saber que essa soma total, porém, não vai ser suficiente para manter o aumento da temperatura em até 2 C°. O segundo papel é construir vínculos entre os países, entre setor privado e setor público, que nos levem a fechar a brecha que teremos entre esforços domésticos que estão sobre a mesa e as metas com as quais os países se comprometeram. O acordo de Paris tem de catalisar a colaboração através de fronteiras.

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA CONVENÇÃO DO CLIMA (UNFCCC)

*Atualizada às 16h06 para correção do título

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