Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Prazo para desocupar Reitoria da USP acaba às 17h; alunos prometem resistir

Juíza marcou audiência com estudantes para negociar saída pacífica do prédio no campus

Bruno Paes Manso e Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2011 | 22h58

SÃO PAULO - Os estudantes que ocupam o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) desde a madrugada de terça-feira têm até as 17 horas de hoje para deixar o prédio. Caso não haja negociação, a Justiça autorizou o uso da força policial para que seja cumprida a reintegração de posse.

A notificação judicial foi entregue às 17 horas de ontem aos estudantes que ocupam o prédio pelo oficial de Justiça Valdemir Maciel, que foi vaiado e não conseguiu entregar o documentos em mãos. "A leitura aconteceu e os alunos estão oficialmente notificados", disse o oficial.

Os alunos e integrantes da Reitoria também foram intimados a participar de uma reunião de conciliação hoje, às 10 horas, no Fórum Hely Lopes de Meirelles, no centro. Eles não confirmam presença. A Reitoria cortou a energia elétrica e o acesso à internet do local.

Os manifestantes pedem a saída da Polícia Militar do câmpus desde que três alunos da Geografia foram detidos por policiais militares fumando maconha no local, no dia 27 de outubro. A ação da PM levou a uma série de confrontos desde então.

Assembleia. Na tarde de ontem, representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e dos alunos que ocupam a Reitoria disseram que as negociações com os representantes da USP não avançaram. Eles afirmam que continuam no prédio e já marcaram uma nova assembleia, na quarta-feira, na frente da Reitoria.

Representantes da Reitoria queriam que os ocupantes deixassem antes o prédio para que fossem abertos dois grupos de trabalho, nos quais seriam discutidas duas reivindicações do movimento: a revisão do convênio entre a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Reitoria e a revisão dos processos administrativos e criminais contra estudantes e trabalhadores punidos em manifestações anteriores.

Os representantes da ocupação não aceitaram a oferta. "O movimento vai resistir e nós estamos responsabilizando a Reitoria caso haja confronto", disse o diretor do Sintusp, Magno de Carvalho. "Se houver confronto é porque a Reitoria quer tirar sangue de estudante", diz Rafael Alves, aluno de Letras da USP.

PM 'espião'. A Polícia Militar está mais próxima do prédio da Reitoria do que imaginam os estudantes da USP. Ontem, policiais à paisana, até em bicicletas, já circulavam do lado de fora do espaço ocupado pelos manifestantes. Portavam câmeras escondidas.

No início da tarde, um helicóptero, possivelmente equipado com o Olho de Águia (câmera que identifica detalhes a distância), também sobrevoou o prédio, em baixa altitude, por cerca de dez minutos. / COM WILLIAM CARDOSO

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