Prática dá força a facções, alerta Pastoral

O advogado da Pastoral Carcerária, José de Jesus Filho, afirma que a omissão do Estado traz consequências graves, como o fortalecimento de grupos criminosos, como a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

Há um mês, Jesus Filho entrevistou dois travestis no CDP 3 de Pinheiros que não recebiam visitas. Por esse motivo, passaram a receber favores de outros presos. Roupas, cobertores e produtos de higiene foram doados por alguns "irmãos". A cobrança, os dois relataram ao advogado, não demorou para chegar. Em uma revista feita pelo Grupo de Intervenção Rápida (GIR), força especial da Secretaria de Administração Penitenciária, foram obrigados a esconder drogas e celulares. "Os dois tiveram de pedir transferência", conta.

Moradores de rua e pessoas sem condições de se sustentar nas cadeias também têm de se aproximar do PCC. No CDP 1 de Pinheiros, segundo pesquisa da Pastoral, 25% dos presos viviam nas ruas ao serem presos. "É sempre a mesma história. Se o Estado não age, abre a brecha para outros agirem no lugar."

Nos presídios, a situação é menos dramática que nos CDPs. Produtos são oferecidos com mais regularidade, além de haver oportunidade de trabalho. Na falta, o detento pode usar o salário que recebe na prisão. Segundo um ex-presidiário, lavar a roupa dos colegas é uma possibilidade. Pode-se ainda fazer trabalhos manuais, que são comprados por outros presos como presente para a família.

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