Pranchas voadoras ganham litoral de SP

Pranchas voadoras ganham litoral de SP

Novo acessório – o foil – turbina esportes já conhecidos e ajuda praticantes a deslizar no ar com menos atrito e mais velocidade

Valéria França, Especial para O Estado

10 Dezembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Tem desafio novo nos mares do litoral paulista – e por que não dizer do Brasil. O wind, o kite, o surfe e o stand up paddle foram literalmente turbinados por um acessório que permite aos praticantes deslizar pelas águas com menos vento e mais velocidade. Trata-se do foil, equipamento muito parecido com o esqueleto de um mini-avião – com asas e fuselagem –, instalado na parte de baixo das pranchas. “É uma revolução. Com ele, o esporte vira outro”, avisa Leco Salazar, campeão mundial de paddle (convencional) no ano passado. 

De longe, já é possível identificar: os esportistas parecem levitar, voando colados à superfície da água. “Todo mundo chama o foil de tapete mágico”, diz Zecão Renó, que tem uma escola na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Ele estuda a possibilidade de fazer parceria com fornecedores para começar a ensinar o surfe foil. “A molecada está curiosa, principalmente por causa dos vídeos do Kai Lenny (celebridade entre os novos talentos do surfe) nas praias da Califórnia, que se apaixonou pelo surfe e paddle com foil.”

O esporte já virou moda nos Estados Unidos e no Canadá, com praticantes de todas as idades. “Conheci o kite foil no Ceará, meca do kite, em 2016”, diz o empresário Luciano Calvis, de 59 anos. “O acessório renovou meu entusiasmo pelo esporte. É um brinquedo sensacional.”

Em Ilhabela, também no litoral norte, o esporte se democratizou. “Dou aula todos os dias na praia da Ponta das Canas, local com o melhor vento para o kite e o wind”, afirma Diogo Prado, de 32 anos, dono da loja Kite Surf Ilhabela, que neste ano vendeu cerca de 150 foils. 

Todo comprador ganha uma aula. Só o foil custa, em média, R$ 4 mil. A hora da aula para quem tem o equipamento sai a R$ 300. E quanto tempo leva para sair levitando por aí? “Depende da habilidade e experiência de cada aluno, mas em geral no máximo três horas.” 

Uma das vantagens é que o acessório permite maior assiduidade no esporte – qualquer um deles. “O equipamento tradicional precisa de vento com 10 a 12 nós (de 19 a 21,6 km/h) para se deslocar”, afirma Mateus Isaac, de 32 anos, que começou a praticar wind foil quando morava no Havaí, há um ano. “O foil permite que a vela fique em pé com 8 nós (14,4 km/h).

É clássica a cena de um monte de surfistas na areia e olhando o horizonte à espera de boas ondulações para cair no mar. Com pouco vento, nada acontece – ou pelo menos não acontecia. Isaac explica que o foil impulsiona a prancha a sair da água, diminuindo o atrito e aumentando a velocidade, o que compensa a falta de vento. “Isso altera totalmente o equilíbrio. Quem já faz o esporte sem o acessório tem de reaprender a forma de velejar.”

Em São Vicente, no litoral sul, o sucesso é o stand up paddle e o surfe com foil, que dá mais mobilidade à prancha. Antes, o surfista remava para pegar uma onda e, uma vez em cima da prancha, surfava até seu fim – e então começava tudo de novo, em uma nova onda. Com o foil, ele pega uma onda e, se ela minguar no meio, continua em pé na prancha para pegar a que vem atrás.

Ou seja, o surfista não precisa nunca descer da prancha, a menos que caia. “O paddle também desliza facilmente com pequena ondulação e alcança grandes distâncias”, diz Leco Salazar, que tem um foil que se adapta às duas pranchas: à de surfe e à de paddle. “Permite que eu faça manobras que não faria com a prancha convencional.”

Ele avisa aos iniciantes que o foil é pesado, bem afiado e pode machucar em caso de queda. “Aconselho a usar capacete, colete e, se possível, ter um instrutor para começar.”

Até na capital. Muitos esportistas já apareceram com o foil na Represa do Guarapiranga, na zona sul da capital. Entre eles está Gabriel Palladini Munhoz, de 15 anos, que, desde que colocou o foil na prancha de wind, veleja ao menos duas vezes por semana com o irmão e o pai. “Pratico wind desde os 6 anos. Há seis meses adaptei um foil à prancha. Demorei uma hora para me equilibrar, mas ainda não sou bom nas manobras”, diz. 

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