Pranchão com remo vira moda e ganha adeptos

Stand up paddle já reúne cerca de mil praticantes na cidade; boa parte deles treina na Raia Olímpica da USP e na Guarapiranga

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2012 | 03h02

Na semana passada, o instrutor e representante comercial Roberto Teixeira Campos, de 50 anos, remava em um pranchão na Raia Olímpica da Cidade Universitária quando viu quatro tartarugas na margem do rio, repousando sob o sol do meio-dia. Ao lado, na Marginal, poluição e carros parados no trânsito infernal. No horizonte, prédios e mais prédios da paisagem de São Paulo.

Betão é um dos professores do curso de stand up paddle (sup), esporte que começou a ser praticado no começo dos anos 2000 e atualmente congrega cerca de mil praticantes em São Paulo. "Mais do que melhorar o físico, passar uma hora remando em um rio com tartaruga e peixe, ao lado da Marginal do Pinheiros, faz bem para a mente e para a alma", diz.

As aulas de sup na cidade são dadas pelo Clube de Canoagem Matero. Ocorrem três vezes por semana entre 12h30 e 13h30. Além de stand up, os alunos podem fazer cursos de canoagem havaiana de um, dois e seis lugares. Na Represa do Guarapiranga, ainda é dado o curso básico pela Team Brazil de apenas uma aula. Passeios de canoa havaiana são feitos no fim de semana. Além dos cursos, já existe um circuito brasileiro de provas com prêmios que chegam a R$ 20 mil para o campeão.

"Um dos grandes atrativos do esporte é que pode ser praticado por pessoas de todas as idades. Conforme o ritmo e o preparo físico, o curso pode ser mais ou menos forte. Na primeira aula, o aluno já sai remando", explica o professor Alessandro Matero, campeão mundial de canoa havaiana e campeão brasileiro de sup em 2010.

Colesterol. Só na Raia Olímpica, 68 alunos fazem aulas. Em 2008, o executivo Vicente Luciane, que trabalha n a indústria farmacêutica, tinha 110 quilos quando decidiu partir para o esporte.

Sua taxa de colesterol estava em 290 e ele precisava baixar urgentemente. Começou a remar e não parou mais. Hoje está com 88 quilos. "Eu não aguentava esporte em academia porque já trabalho em escritório. Precisava de um ambiente aberto", explica Luciane.

Abdominal. Para aqueles preocupados com a forma física, o sup é um esporte sem muitas restrições. Segundo os instrutores, não tem impacto, trabalha com os músculos da perna - ao exigir constante equilíbrio na prancha -, do tórax, o peitoral, dorsal, além do cardiovascular. Um homem de 68 anos faz aula, assim como uma criança de 6.

O empresário Ricardo Lucchi, de 46, participou ontem de sua primeira aula de sup, levado pelo amigo, também empresário, Bito Khoury, de 46. Em forma e acostumado à prática de esporte, Lucchi corre, nada e faz musculação. Ele conseguiu equilibrar-se com relativa facilidade logo na primeira aula e diz que o exercício foi puxado. "Principalmente lombar e abdominal transverso", diz.

Nas praias paulistas, já existe também aluguel de prancha e remo para banhistas visitarem ilhas de praias mais calmas. Para os que preferem comprar a prancha e o remo, gasta-se entre R$ 2,5 mil e R$ 12 mil, dependendo da qualidade do equipamento.

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