Prefeitura de Bertioga/Divulgação
Prefeitura de Bertioga/Divulgação

Praias são fechadas com tapumes contra assédio de turistas no litoral norte

Viaturas das guardas municipais permanecem na faixa de areia para abordar pessoas desavisadas do decreto municipal que determina a indisponibilidade dos locais

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2020 | 16h02

SOROCABA – Para afastar os turistas durante o feriadão na capital, prefeituras estão fechando as mais belas praias do litoral norte de São Paulo com cercas e tapumes. Viaturas das guardas municipais permanecem na faixa de areia para abordar turistas desavisados. Em todas as cidades, quem chega de fora é abordado em barreiras sanitárias que funcionam 24 horas por dia. Cidades da região têm os mais altos índices de isolamento social e temem perder os esforços realizados até agora para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Em São Sebastião, a prefeitura usou um trator de esteira para erguer barreiras nos acessos às praias mais procuradas pelos turistas. Os acessos mais amplos foram fechados com cercas e tapumes. As ações abrangem as praias de Maresias, Juqueí, Paúba, Camburi, Camburizinho, Guaecá e Barra do Sahy. A cidade tem 320 casos e duas mortes pelo coronavírus. As barreiras nos acessos à cidade serão mantidos até segunda-feira, 25.  A prefeitura de Bertioga instalou faixas nas praias com advertências aos veranistas.

Em Ubatuba, com 43 casos e um óbito, a prefeitura mobilizou 200 funcionários e voluntários para manter isoladas as 28 praias. Viaturas da Guarda Municipal circulam pelas faixas de areia. As duas entradas principais da cidade estão com barreiras. "A abordagem serve para informar o turista, caso tenha algum desavisado, sem informações sobre o decreto municipal que determina a indisponibilidade das praias. Diante de algum tipo de enfrentamento ou resistência, a Guarda Municipal será acionada", disse o assessor municipal Jailton Santos.

Esdrúxula

A prefeitura de Caraguatatuba, com 91 casos e 4 óbitos, levou para o trecho municipal da Rodovia dos Tamoios uma de suas principais barreiras que antes acontecia na área urbana. Os turistas têm a temperatura medida e são obrigados a preencher um questionário. O secretário de Mobilidade Urbana, Maurício Ferreira, descreveu algumas desculpas dadas por veranistas como esdrúxulas. "Cortar a grama da casa, alimentar o gato, pagar o pedreiro, visitar a tia que não via há muito tempo, tudo seria motivo para a viagem até nossa cidade", disse. No primeiro dia de barreira, foram abordados cerca de 500 veículos. Uma pessoa com temperatura acima de 37,8 graus, foi encaminhada para a unidade de atendimento da covid-19.

Em Santos, na quarta-feira, 20, foram abordados 494 motoristas com placas de fora da região em dois bloqueios, segundo balanço da prefeitura. A maioria comprovou a necessidade de entrar na cidade, mas 16 decidiram retornar para as cidades de origem. A cidade tem 1.966 casos e 99 mortes pela covid-19. Em Praia Grande, um bloqueio voltou a funcionar esta manhã no trecho urbano da rodovia Padre Manoel da Nóbrega e houve congestionamento. Em Guarujá, foram instalados sete bloqueios no perímetro urbano. Havia bloqueios também nos acessos a Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe.

Interior

Pelo menos 32 cidades do interior de São Paulo instalaram barreiras para coibir a entrada de turistas durante o feriado prolongado na capital. Só em Bragança Paulista, 4 mil veículos foram parados nas barreiras sanitárias até a manhã desta quinta-feira, 21. Os carros foram higienizados e os ocupantes tiveram a temperatura medida. No Circuito das Águas, as cidades de Água de Lindóia, Socorro e Lindóia fizeram bloqueios nos acessos. "Todos os veículos com placas de outras cidades são parados e orientamos sobre os decretos em vigor, mostrando que está tudo fechado", disse o comandante da Guarda Municipal de Olímpia, major Edson de Oliveira, sobre as barreiras da cidade.

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