Felipe Rau/AE-6/6/2010
Felipe Rau/AE-6/6/2010

Praia do Tombo, no Guarujá, ganha a Bandeira Azul

Desde a semana passada, o reduto de surfistas no litoral sul de SP ostenta símbolo mundial só concedido a pontos ambientais tops

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2010 | 00h00

No topo de um mastro recuperado na sucata da prefeitura do Guarujá, no litoral sul, uma bandeira que é hasteada desde a semana passada na Praia do Tombo é motivo de orgulho para seus frequentadores. É a "Blue Flag", a bandeira azul concedida pela organização não-governamental dinamarquesa Foundation for Environmental Education a praias consideradas top em quesitos socioambientais.

Mais de 3.200 praias do mundo possuem a certificação. No Brasil, porém, Guarujá se une apenas a Jurerê Internacional, em Santa Catarina, que conseguiu o feito no ano passado.

Foram quatro anos de discussões e adaptações para a praia queridinha dos surfistas, que tem 800 metros de extensão, enfim conseguir a certificação. "Tivemos que cumprir 32 itens, mas o ponto de partida do Bandeira Azul é a qualidade do mar, o que a do Tombo já possuía", conta o secretário municipal de Meio Ambiente, Elio Lopes.

Os critérios para balneabilidade, segundo ele, são mais rígidos do que os da agência ambiental de São Paulo, a Cetesb. Para a obtenção do certificado, foram detectadas as ligações clandestinas e eliminado todo e qualquer esgoto da rede pluvial que desemboca na praia. Além disso, a água passou a ser submetida a análises duas vezes por dia.

O cumprimento dos índices de balneabilidade e de outras exigências do programa é vistoriado sem que a cidade seja avisada pela ONG Instituto Ambiental Ratones (IAR), de Santa Catarina, que coordena o Bandeira Azul no Brasil. As praias com Bandeira Azul precisam renovar a certificação anualmente. "Conseguir a Bandeira Azul é dificílimo, mas mantê-la é mais ainda. A parte da educação é a mais importante", afirma o secretário.

Para isso, foi criado o Núcleo de Educação Ambiental, que funciona em um pequeno prédio no calçadão da orla. "Na semana passada, tivemos cursos para os ambulantes da praia sobre como manusear os alimentos com higiene", conta Eloíza Prado, coordenadora do núcleo. O local também concentra algumas exigências da certificação: é lá que ficam os reagentes e relatórios das análises da água, os banheiros (incluindo o de deficientes), o bebedouro, o centro de informações turísticas, a câmera de monitoramento para a segurança e lixeiras para coleta seletiva de materiais recicláveis e óleo.

De acordo com Lopes, a adaptação da Praia do Tombo não custou muito aos cofres públicos. "Não tem como calcularmos exatamente quanto foi gasto, pois foram verbas de diferentes secretarias, mas foi pouco. Fizemos parcerias e usamos a criatividade", diz ele, citando o mastro da bandeira recuperado da sucata e o acordo com quiosques da orla para que seus chuveiros pudessem ser usados por todos.

O QUE ELES PEDEM

Existência de recipientes para lixo em bom estado e de instalações sanitárias e chuveiros em número suficiente

Normas relativas a cães e outros animais domésticos na praia devem ser obrigatórias

Meios de transporte sustentáveis devem ser estimulados na área da praia

Dispor de número adequado de salva-vidas

Estar equipada para receber pessoas com necessidades especiais

Policiamento na área da praia

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