Praça Julio Mesquita terá fonte restaurada

Monumento de 1927 era usado por dependentes de crack e teve peças roubadas; intervenção vai terminar em dez meses e custará R$ 430 mil

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2012 | 03h05

Nos próximos dez meses, a fonte monumental que fica na Praça Julio Mesquita, no centro da cidade de São Paulo, será restaurada e voltará a ser um símbolo da memória da capital. Desativada há anos, a fonte vinha sendo usada por moradores de rua como banheiro público, segundo relato de vizinhos da praça e agentes da própria Prefeitura.

Além disso, o local tinha se tornado ponto de encontro dos usuários de crack expulsos da cracolândia a partir de janeiro.

"A praça estava abandonada e a fonte servia apenas como vaso sanitário para os noias", lamenta o jornaleiro Daniel Ferreira, de 31 anos. Ele conta que a Prefeitura enviou equipes para limpar o local várias vezes, mas ele sempre era reocupado rapidamente. "Depois de tanto tempo convivendo com o mau cheiro, parei de reparar no quão bonita era a fonte. Ela se tornou apenas um incômodo", diz.

Segundo o chefe da Seção de Monumentos e Obras Artísticas do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura, Fábio Donadio, responsável pela obra, a restauração estava sendo planejada havia anos. "A exposição ao vandalismo dava uma sensação de abandono que não era verdadeira. A fonte era sempre cuidada e há algum tempo estamos planejando essa restauração."

Serão gastos R$ 430 mil na obra, que incluirá limpeza do mármore, resgate do sistema de tubulação original e colocação de partes que desapareceram, como as conchas de bronze que ornavam a peça e foram roubadas - elas serão substituídas por réplicas de resina.

Apesar de estarem entusiasmados com a restauração, comerciantes da região temem que, com o fim das obras, os usuários de drogas voltem a ocupar a praça. "Se não mantiverem um policial por aqui, não sei quanto tempo a fonte dura", diz Antônio Coelho Simões, de 70 anos, dono de um restaurante na praça. Para o aposentado Josias de Lima, de 60, a única solução seria cercar a praça. Segundo Fábio Donadio, porém, cercar um monumento não garante sua preservação e ainda atrapalha a visualização.

A própria Praça Julio Mesquita já foi cercada na década de 1980 para evitar vandalismos, mas as grades foram retiradas em 2004. "Historicamente, todos os monumentos que foram gradeados não ficaram mais seguros por causa disso."

A Secretaria Municipal de Cultura diz que pediu à Guarda Civil Metropolitana (GCM) que intensifique o patrulhamento na região, mas lembra que a obra será inaugurada apenas na gestão do próximo prefeito.

História. Planejada inicialmente para ficar na Praça da Sé, a fonte monumental foi encomendada à escultora Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (1874-1941). Colocada na Praça Julio Mesquita em 1927, foi a primeira obra de arte pública feita por uma mulher na capital.

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