Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Praça da Sé ou Praça d. Paulo? Homenagem a arcebispo avança na Câmara

Inclusão de nome de um dos expoentes da Igreja Católica no País no século 20 deverá ser ratificada na semana que vem

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - A Praça da Sé, no centro de São Paulo, deverá incluir o nome de d. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito da cidade, que morreu há um ano. A proposta de dois vereadores do PT, Eduardo Suplicy e Arselino Tatto, foi aprovada em primeira votação nesta segunda-feira, 11, e deve ser ratificada na próxima semana, seguindo para a sanção do prefeito João Doria (PSDB). 

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A homenagem a um dos expoentes da Igreja Católica no País no século 20, com notada atuação na Catedral da Sé, foi aprovada em votação simbólica que só teve uma oposição: a do vereador Fernando Holiday (DEM). Na justificativa apresentada para a aprovação do projeto, os petistas dizem que a alteração do nome do local “objetiva homenagear um símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil, d. Paulo Evaristo Arns, ‘amigo do povo’”.

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“Acrescentar seu nome na Praça da Sé, espaço de tantas lutas pela democracia e por melhores condições de vida para o nosso povo é uma forma de dom Paulo estar sempre presente. Dom Paulo colocou sua vida a serviço de nosso povo e nossa cidade e a presente denominação é justa e merecida”, complementam. 

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A mudança está entre os 72 projetos votados na segunda na Câmara, dos quais 35 se referiam a nomes de ruas, avenidas, viadutos e de uma Unidade Básica de Saúde (UBS); 30 deles foram aprovados em 1.ª votação e 5 deles já seguiram para sanção do prefeito. Entre as propostas que agora só dependem da aprovação de Doria está o uso do nome de Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula, morta em fevereiro, para nomear um viaduto no M’Boi Mirim, zona sul paulistana.

Suplicy exaltou a importância de Arns para a história de São Paulo e do País. “Entendemos que a praça e a catedral têm uma tal identificação com d. Paulo e com a história da cidade que é uma homenagem muito justa”, disse. Ele ressaltou ainda guardar no seu quarto uma foto com o cardeal em que aparece com a sua mãe e as irmãs do religioso. “É uma coisa muito especial para mim.” 

Além da oposição registrada de Holiday, há vereadores que admitem estar insatisfeitos com a mudança. Gilberto Natalini (PV) disse ter votado a favor para a mudança do nome da Sé por um acordo do partido, mas fez críticas à medida. “D. Paulo merece toda a homenagem, é uma figura da maior grandeza, mas a Praça da Sé é o símbolo central da cidade. Não acho uma coisa positiva fazer isso. Deveriam ter arrumado outro lugar para fazer a homenagem”, disse nesta teçra-feira, 12, ao Estado

Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) lembra que a criação da praça remete à primeira metade do século 20, quando, em meio à construção da catedral, d. José Gaspar de Afonseca e Silva foi à Prefeitura pedir que o espaço na frente à igreja fosse aberto, a exemplo do modelo de catedrais em grandes cidades. “E a Prefeitura acatou o pedido. Foi uma transformação urbanística muito importante para a cidade porque a praça passou a ser referência central.”

Toledo sugere que, pela sua importância para a cidade, a praça não tenha o nome alterado, mesmo que para homenagear uma pessoa importante para a Igreja. “Na minha opinião, mudar o nome seria um crime hediondo contra a história de São Paulo e deveria ser impedido.” 

 

Allende

Também avançou projeto que muda o nome da Praça Salvador Allende, na zona sul, para Sagrado Coração de Jesus. A mudança enfrentou a resistência de 11 vereadores de PT, PSOL, PPS e PSDB, mas deverá ser confirmada na semana que vem. “Achei absurdo quererem retirar o nome do Allende (presidente do Chile morto em 1973), pessoa de extraordinário valor para o continente. Vamos ter de procurar outro lugar para a devida homenagem”, adiantou Suplicy. 

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