Pq. da Água Branca fica pronto só no 2º semestre

Frequentadores têm de desviar de obstáculos e alguns até já desistiram de fazer exercícios

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

19 Março 2011 | 00h00

Frequentadores do Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, vão ter de esperar pelo menos até julho para correr ou caminhar sem encontrar uma sequência de obstáculos pela frente, como tapumes, lama, tubulações de concreto, pedras e desníveis no piso. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, responsável pelo parque, as obras devem acabar no segundo semestre, "se tudo correr dentro da normalidade".

Em abril do ano passado, a então primeira-dama Deuzeni Goldman apresentou um plano de reformas e revitalização do parque. A iniciativa foi alvo de polêmica logo no início. Em agosto, um suposto corte irregular de árvores culminou no embargo da reforma no mês seguinte pelo Ministério Público, que constatou problemas nos tanques do lago e a demolição de um prédio anexo à mina d"água. As obras foram liberadas no fim de setembro, quando o parque passou a funcionar até as 22 horas.

Atualmente, a pista em volta da arena está parcialmente bloqueada para passagem. Nos locais próprios para exercícios há canteiros de obra e interdições que chegam a interromper o trajeto de quem se exercita ali. Também há muitas máquinas pelo chão.

O estudante de Direito Rodrigo Losso, de 34 anos, costuma correr no local à noite. "Agora tem de correr com mais cuidado. Todo o parque está em reforma e várias partes ainda têm muitas pedras que atrapalham", diz. "Mesmo assim, ainda prefiro correr lá, já que oferece mais segurança do que na rua."

A estudante Mariana Soares, de 20 anos, afirma que quase escorregou na lama do parque na semana passada. "Está muito ruim. As interdições estão em todo o parque." No começo das obras, a comerciante Alexandra Burati, de 40 anos, desanimou. "Tento ir três vezes por semana, mesmo com lama e obras. Moro bem perto." A amiga dela, Fernanda Roit, de 38 anos, confessa que o tênis fica cheio de lama. Mas tem esperanças de encontrar um lugar mais bonito. "Atrapalha, mas acho que faz parte. A gente desvia de algumas coisas, mas é preciso."

Uma das coordenadoras do SOS Parque da Água Branca, Regina de Lima Pires foi mais radical. Desde outubro parou de correr no parque. "Eu ia todos os dias, mas as áreas para circulação estão cada vez menores. Está cheio de britadeiras no caminho e o piso está irregular", reclama. "Nas nossas reuniões, muita gente conta que parou de ir lá."

Movimento. Dois funcionários do parque ouvidos pela reportagem afirmaram ter registrado uma queda no número de pessoas. Vendedores de comida e refrigerantes, que pediram para não ser identificados, também confirmam uma queda no movimento do público - o fato, porém, não foi confirmado pela administração.

A Secretaria da Agricultura recomenda aos frequentadores que utilizem as áreas que não estão em obras. Segundo a pasta, o parque tem 137 mil m² e apenas um terço está em obras. "Por isso, é extremamente importante que o frequentador observe as faixas e placas de sinalização."

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