Postura de goleiro deixa expectativa de confissão

Análise: Luiz Cogan

É MESTRE EM PROCESSO PENAL PELA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

06 Março 2013 | 02h03

O interrogatório de Bruno será a derradeira oportunidade para expor suas defesas. Diante das circunstâncias, do depoimento das testemunhas, da condenação prévia de Macarrão e da grande quantidade de pena a que Bruno possa ser condenado, ventila-se, até nos bastidores, a possibilidade da confissão de Bruno, visando a uma atenuação de sua pena. No entanto, somente no decorrer do interrogatório do réu é que tal suposição poderá ser confirmada.

Vale destacar que, durante a exibição de vídeos sobre a reconstituição do crime de Eliza Samudio, Bruno chorou muito. Em tese, suscita-se que a postura de Bruno durante o julgamento, em que chorou por vezes, bem como apresentar-se cabisbaixo, olhando para o chão, deixa a expectativa de confissão ainda mais latente, uma vez que, em regra, uma pessoa acusada injustamente de um crime que não cometeu estaria impaciente, agitada, clamando por Justiça, e não apenas aguardando um desfecho previsível: a condenação.

Ademais, exibiu-se no fim da tarde aos jurados uma entrevista de Jorge Luiz Rosa, primo do ex-goleiro, ao programa Fantástico, da Rede Globo, em que Jorge culpa Macarrão pela morte de Eliza Samudio. Eis que surgem contradições: em um primeiro momento Jorge inocenta Bruno, afirmando que desconhecia o plano de matá-la. Entretanto, ao fim da entrevista, Jorge se desdiz e afirma que era impossível o goleiro Bruno não saber do plano. Resta-nos aguardar o interrogatório do ex-goleiro.

Anteontem, a primeira testemunha ouvida foi a delegada Ana Maria dos Santos, que confirmou todas as versões anteriormente ditas. Ela afirmou que Jorge Rosa delatou os fatos por não conseguir conviver com a cena de Eliza morrendo em sua mente, indicando a casa onde Eliza foi morta. Ontem, os trabalhos começaram com o depoimento de João Batista Alves Guimarães, testemunha não presencial, que era caseiro do sítio do ex-goleiro, seguido pelo depoimento de Celia Aparecida Rosa Sales, prima do goleiro. Dayanne de Souza, ex-mulher de Bruno, acusada do sequestro e cárcere privado de Bruninho Samudio, foi interrogada ontem, momento crucial de sua defesa. Entretanto, o ex-goleiro deve realizar sua autodefesa hoje.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.