Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

'Posto não tem segurança e arma não veio do posto', diz advogado

Segundo advogado, os funcionários não conseguiram ver de onde veio os disparos que mataram João Batista Moura da Silva

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2018 | 19h57

O advogado do Posto Rebouças, onde uma briga deixou dois mortos e dois feridos neste sábado, 3, na Avenida Rebouças, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, nega que o local tivesse segurança e que a arma de fogo pertencesse ao estabelecimento. Testemunhas afirmaram à polícia em depoimento nesta segunda-feira, 5, que o agressor usava o colete do posto de gasolina. Na região, uma multidão havia se concentrado para acompanhar os blocos de pré-Carnaval.

"A arma não pertencia a ninguém do posto. O posto não tem segurança e a arma não veio do posto", disse o advogado Erikson Eloi Salomoni. Ele diz que havia muitas pessoas no posto em função do carnaval e que os funcionários também "não conseguiram observar de onde vieram os disparos ou como aconteceu".

++ Briga em posto de gasolina na Av. Rebouças deixa dois mortos e dois feridos

Ainda segundo o advogado, o subgerente envolvido na briga teria sido agredido por um dos integrantes do grupo das vítimas. "Ele (subgerente) estava na pista, no local de abastecimento. No meio da discussão, pediu que as pessoas parassem de urinar ali e teve uma discussão. Foram bater boca com ele. Ele foi agredido com murros e pontapés, se escondeu dentro da loja de conveniência e chamou a polícia", relata Salomoni. 

O Hospital das Clínicas confirmou na manhã desta segunda, 5, a morte de João Batista Moura da Silva, de 30 anos. Ele foi encaminhado ao HC após ser ferido na briga. No Boletim de Ocorrência registrado no 14 º DP, já se informava também que Bruno Gomes de Souza, de 31 anos, empresário do ramo de academia, também morreu. Ele chegou a ser atendido na Santa Casa, no centro da cidade, mas não resistiu aos ferimentos.

Ficaram feridos o administrador de banco Rodrigo Beralde da Silva, de 34 anos, e o operador de máquinas Fernando Avelino, de 28 anos. Silva foi levado ao HC, mas foi transferido para o Hospital Nove de Julho, onde permanece internado desde sábado. Avelino foi ferido por uma barra de ferro no braço, porém não precisou ser socorrido.

Segundo testemunhas que prestaram depoimento no 14° DP  (Pinheiros) na manhã desta segunda-feira, o crime ocorreu por volta das 19h30. Amigos das vítimas relataram à polícia que estavam em um grupo de 12 pessoas saindo do bloco Maluco Beleza, no Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, e seguiam em dois carros para o Largo da Batata, na zona oeste, para seguir outros blocos de pré-carnaval. Eles disseram que pararam no posto de gasolina para abastecer os veículos, quando as meninas desceram e pediram aos frentistas para usar o banheiro.

Funcionários do posto teriam apontado para a lateral, indicando que elas poderiam urinar próximo aos sacos de lixo. Em seguida, Souza e Beralde também teriam seguido para também urinar. Amigos disseram que Souza estava "bêbado e alterado". Além de urinar, ele também teria vomitado no local. 

Amigos dos três homens, o operador de máquinas Fernando Avelino e a esposa Talita Juliana Moreira Avelino contam que um frentista teria tentado fechar o portão gradeado com Souza e Beralde do lado de dentro, dizendo que eles não poderiam usar aquele local. 

"Fomos eu e um amigo meu pedir para não trancar porque tinham dois rapazes lá. Estavam fazendo xixi. O frentista disse que ia fechar porque não podiam ficar ali. Aí chegou um outro rapaz dizendo que era subgerente do posto, falando super ignorante que não era para usar ali. Só queríamos esperar eles saírem", relata Avelino. 

Segundo o amigo das vítimas, quando Souza e Beralde saíram da lateral do posto e os grupos seguiam para os carros, o subgerente do estabelecimento teria começado a discutir com um dos integrantes do grupo e tentado dar um tapa na cara dele.

"Eu vi, cheguei e empurrei ele, falando: 'a gente só queria usar o banheiro, não há necessidade disso'. Nisso, chegou um (homem) que provavelmente era um frentista, porque estava com a jaqueta do posto, atrás dele, com a barra de ferro e me atingiu na altura da minha cabeça, porém eu coloquei o braço", conta Avelino. "(A barra) pegou no meu braço. Nessa hora, dei uns passos para trás por conta da pancada. E ele, o agressor, deu uns passos para trás e sacou a arma. Aí foi salve-se quem puder." O advogado do posto disse ainda que desconhece a quem pertencia a barra de ferro. 

"Ele usava um jaleco do posto. Não sabemos se era frentista, se era policial que apenas usava a blusa, se era segurança... Os disparos foram bem certeiros. Foram para ser fatais, para acertar os homens", diz Juliana. Avelino, que correu para se esconder atrás do carro, relata ter ouvido seis disparos. A esposa dele se escondeu em uma drogaria. "Quando saí (de trás do carro), já vi os três no chão", diz Avelino. "Peguei o Rodrigo (Beralde). Ele estava consciente e disse: 'me leva para o hospital'". Além de Beraldi, o operador de máquinas levou ainda João Batista Moura da Silva para o Hospital das Clínicas. Os dois foram feridos no abdômen.

A polícia informou que os depoimentos dos frentistas envolvidos foram colhidos no final de semana. A ocorrência foi registrada como homicídio tentado e consumado. As investigações estão a cargo do 14º DP (Pinheiros).

Mais conteúdo sobre:
homicídio carnaval bloco de carnaval

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.