Postes do Rodoanel vão receber barreiras

Dersa lança edital para proteção prioritária sete meses após inauguração do Trecho Sul

Renato Machado, Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2010 | 00h00

Inaugurado há sete meses, o Trecho Sul do Rodoanel vai ganhar somente agora proteções para os postes de iluminação instalados ao longo de seus 61,4 quilômetros. Essas estruturas de segurança são obrigatórias - como preveem normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - porque diminuem o risco de acidentes e chance de mortes nas colisões.

A Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) lançou, há uma semana, a licitação para a criação de defensas metálicas para "complementar os dispositivos de proteção e segurança da rodovia". A empresa vencedora terá três meses para instalar cerca de 15 quilômetros dessas barreiras.

Especialistas afirmam que as barreiras são prioritárias nas rodovias e devem ser instaladas quando houver qualquer item que coloque motoristas em perigo - taludes (inclinações à margem da estrada), precipícios, árvores e postes. O conceito mundial de segurança prevê que as vias devem "perdoar os erros dos motoristas" e estar adaptadas para minimizar riscos.

"Vários fatores podem provocar erros do motorista e a rodovia deve amenizar a gravidade quando eles acontecem", diz o mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo Sérgio Ejzenberg. "Se o motorista raspa na defensa metálica, ele vai amassar o veículo, mas vai ter uma desaceleração mais lenta. Se encontra um poste, pode ser fatal."

O mesmo problema da falta de proteção é constatado nas novas pistas da Marginal do Tietê. Uma agravante no Trecho Sul do Rodoanel, no entanto, é o limite de velocidade maior. Estudos mostram que uma colisão a 100 km/h contra um poste tem entre 40% e 85% de chance de ser fatal. Com proteção, fica entre 10% e 50%. Desde a inauguração do Trecho Sul, foram registrados 361 acidentes - 12 com mortes.

Seguro. O governo do Estado afirma que o Trecho Sul é seguro, "desde que observados a sinalização e limites de velocidade, que para veículos de passeio é de 100 km/h e para caminhões, 80 km/h", informa por meio de nota. "A maior parte dos acidentes acontece face a vários fatores, que independem dos elementos de segurança e condições da via, tais como: excesso de velocidade, embriaguez, estado de conservação dos veículos."

A atual gestão não explicou por que inaugurou o Trecho Sul sem as barreiras, mas reforçou sua importância. "Todos os elementos que compõem a rodovia e possibilitam riscos de acidentes devem ser protegidos."

O governo explica que os postes estão sendo colocados para que a Eletropaulo faça a rede de energia do sistema de monitoramento, que inclui câmeras e painéis de mensagens.

PARA LEMBRAR

Reportagem do Estado em 8 de outubro mostrou que as novas pistas da Marginal do Tietê também não contavam com os dispositivos de segurança para isolar as pistas - como muretas de concreto ou guardrails. Além dos postes, instalados a cada 40 metros, a proteção deveria ser obrigatória ao lado das placas. A Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) havia na ocasião se recusado a responder aos questionamentos da reportagem e a informar quando os problemas seriam corrigidos.

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