Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Pós-carnaval de SP deve superar o público do feriado

Com 82 blocos de rua programados, expectativa é de reunir mais de 2 milhões; secretário destaca ‘sucesso’ e admite falhas pontuais

Bruno Ribeiro e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

02 Março 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Com 82 blocos programados para desfilar entre sexta e domingo, a Prefeitura de São Paulo espera um público ainda maior no pós-carnaval do que aquele que participou da folia pelas ruas da capital paulista entre sábado e quarta-feira. Dados ainda não fechados da Secretaria Municipal de Cultura estimam que mais de 2 milhões de pessoas tenham passado pelos blocos durante este carnaval.

Sem registro de arrastões nem tumultos, a folia de rua da cidade foi avaliada como positivo pelo público e pela Prefeitura. No centro, o destaque ficou para o número inédito de frequentadores. Em Pinheiros, zona oeste, a Prefeitura usou grades para evitar lotações na Vila Madalena e acelerou as ações de limpeza para dispersar os frequentadores do bairro. O Estado avaliou os destaques da festa (veja abaixo).

O secretário municipal de Cultura, André Sturm, disse que o carnaval foi “um sucesso”. Mas mudanças devem ser propostas para o ano que vem - os detalhes serão definidos a partir do dia 14, quando as secretarias envolvidas no evento devem se reunir para discutir as alterações com o prefeito João Doria (PSDB). “Nossa vontade é que, no máximo em maio, a gente já esteja com as regras do carnaval do ano que vem para anunciar e todo mundo poder se preparar”, afirmou Sturm.

Para o secretário, foram quatro os fatores que fizeram a região central atrair tanta gente: a saída de blocos maiores da Vila Madalena, a desistência de parte do público em ir ao bairro da zona oeste - como resultado da repercussão negativa das confusões em eventos anteriores -, a boa divulgação que os blocos do centro fizeram deles mesmos e a facilidade de acesso à área, com mais terminais de ônibus e mais linhas de metrô. 

Ele reconheceu, porém, que o número de lixeiras dispostas pelas ruas não deu conta da demanda, mas atribuiu “à falta de civilidade” por parte da população o estado em que algumas áreas ficaram depois dos desfiles, em especial no Largo da Batata, na zona oeste. Também responsabilizou o público pelo fato de tanta gente ter urinado na rua. “A gente tinha o aluguel de 14 mil diárias de banheiros químicos”, destacou, ao afirmar ter visto gente urinando próximo a banheiros vazios. 

O secretário ainda reconheceu que, em algumas ocasiões, a infraestrutura organizada foi insuficiente, por considerar um público que depois se mostrou maior do que o previsto - as estimativas de foliões foram feitas pelos próprios blocos.

Diante do sucesso do carnaval de rua no centro - que também contou com um palco no Anhangabaú para grandes shows, que ficou lotado no domingo -, Sturm foi questionado se a folia não seria a prova de que a região tem, sim, capacidade para grandes shows, como previa a Virada Cultural até o ano passado. O secretário afirmou que a dinâmica dos eventos é diferente, uma vez que os blocos têm horários de dispersão diversos, enquanto nos espetáculos a saída é feita apenas uma só vez. 

Reações. Quem pulou o carnaval fez mais elogios do que críticas. A advogada Cinthia Foroni, de 31 anos, afirmou que um dos atrativos é a diversidade. “Há blocos de todos os tipos e dá para transitar por estilos.” Mas criticou a sujeira deixada nas ruas. “A gente não encontrava lixeiras”, afirmou.

A publicitária Verônica Zacharias Gabriel, de 33 anos, responsabilizou o público por haver tanta gente urinando na rua, mas disse que “deveria haver mais manutenção nos banheiros”. “Eu já passei seis carnavais no Rio e nunca vi tanto banheiro assim.”

“A festa foi generalizada na cidade, canto nenhum foi poupado”, afirmou a advogada Célia Marcondes, da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc). “Faltou disciplina e organização porque poderia haver horários bem determinados e dispersão absoluta dos grupos”, afirmou.

OS ALTOS E BAIXOS EM DEZ QUESITOS

Animação

✓ Houve alta adesão às fantasias, com destaque para unicórnios, vendedores de gás e super-heróis. 

✘ Muita gente exagerou na bebida e, não raro, pessoas eram vistas caídas em calçadas e canteiros.

Música

✓ Samba, axé, funk e até metal: a variedade de blocos atendeu a todos os gostos, mas o sucesso do carnaval foi mesmo o hit Deu Onda, do MC G15.

✘ Em alguns bloquinhos, a estrutura de som não deu conta do público, que reclamou de cantores improvisados, músicas “picotadas” e baixo volume.

Respeito

✓ A diversidade foi um dos destaques do carnaval deste ano, com blocos para todos e convivência harmônica.

✘ Puxão de cabelo, segurar pelo braço, passada de mão. Embora combatido em alguns blocos, o assédio às mulheres foi comum.

Segurança

✓ Em alguns eventos, os próprios foliões se mobilizaram para resolver desentendimentos e também expulsar agressores do bloco.

✘ O policiamento foi baixo, exceto na Vila Madalena, e houve atos de vandalismo nas principais regiões. A venda de drogas como lança-perfume ocorreu livremente, além da entrada de garrafas de vidro.

Banheiros

✓ O número de banheiros aumentou cerca de 70% em relação ao ano passado.

✘ Mesmo com maior oferta, em algumas áreas, como no centro, os banheiros não foram suficientes. Em todas as regiões, as pessoas fizeram xixi na rua e em muros.

Transporte

✓ Com mais oferta de transporte para ir e voltar dos blocos, foi tranquilo no centro.

✘ Na zona oeste, foi preciso fazer controle de acesso no metrô em alguns momentos, mas não houve maiores registros de confusão.

Organização

✓ Os blocos eram equipados com ambulâncias e equipes médicas e de bombeiros civis prestaram atendimento rápido em todas as situações.

✘ O trajeto de alguns blocos coincidiu, deixando os foliões confusos. Também houve polêmica com o bloqueio de público com grades na Vila Madalena, ao contrário do que havia anunciado a Prefeitura.

Limpeza

✓ As equipes de varrição e os caminhões de água ajudaram a dispersar os foliões, sem que se registrassem confrontos como em edições anteriores.

✘ Em alguns pontos da região central, a limpeza só começou horas após a festa acabar e moradores reclamaram do lixo acumulado.

Interdição de vias

✓ As vias interditadas estavam sinalizadas, embora alguns motoristas tenham reclamado da localização.

✘ Principalmente no centro, não havia muitas rotas alternativas para “driblar” bloqueios.

Dispersão

✓ Com menos rigor, a dispersão do público só registrou confusão no último dia oficial da folia.

✘ Em contrapartida, os moradores tiveram de aguentar barulho até depois do horário determinado pela Prefeitura.

 

 

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