Portugueses vão ao Rio para ensinar arte do mosaico de pedra

Cidade conta com poucos artesãos, mas tem 1,2 mi de metros quadrados de calçamento com estado precário de conservação

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Cinco mestres calceteiros de Lisboa estão no Rio para ensinar a arte dos mosaicos de pedras portuguesas a 50 funcionários da prefeitura carioca, dos quais oito serão "formados" para atuar como multiplicadores do ofício. O Rio tem 1,2 milhão de metros quadrados desse tipo de calçamento, boa parte em estado precário de conservação.

Existem hoje na prefeitura 80 funcionários para cuidar da manutenção de calçadas, mas muitos não dominam a técnica artesanal exportada pelos portugueses. Com o curso iniciado ontem, que vai durar três semanas, o secretário de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, pretende formar mão de obra especializada.

"Temos locais em que o assentamento não é adequado. Fomos perdendo especialidade ao longo dos anos", reconhece o secretário.

Raridade. Manter a tradição não é um problema só no Rio. Existem hoje apenas 20 mestres calceteiros em Lisboa, diz o fiscal Fernando Manoel Fernandes, de 51 anos, que coordena o grupo trazido à cidade. "Eram 400 em 1920. A escola de formação não funciona por falta de interessados."

O trabalho "é duro", conta o português. "Eles trabalham numa posição agachada, precisam partir as pedras na mão usando o martelo. Não à toa, as primeiras calçadas foram feitas por prisioneiros. Vamos ver quantos vão chegar ao fim do curso."

Filho de calceteiro, Fernandes passeou pela capital fluminense para conhecer os mosaicos mais importantes. Percorreu a única calçada original do início do século 20, no entorno do Teatro Municipal, na Cinelândia, e diz que ficou "impressionado" com as formas modernistas criadas por Burle Marx na orla de Copacabana. Na Avenida Chile, no centro, constatou que parte estava "bastante esburacada".

Críticas. Ele diz que em Lisboa também é comum haver reclamações de mulheres que usam salto alto, condenando esse tipo de calçamento. Para ele, o problema não é a calçada, mas a falta de conservação. "Uma calçada bem feita não impede andar de salto. O espaço entre as pedras deve ser mínimo. Elas devem ser talhadas e ordenadas uma a uma, para o encaixe perfeito."

Rodeados por cariocas, os portugueses fizeram uma demonstração no auditório do Arquivo Geral da Cidade. "Eu nem sabia que a pedra quebrava assim tão fácil", comentou Osório, agachado. "Mas tem de bater no lugar certo", ensinou um dos especialistas portugueses.

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