Porto de Santos terá polo turístico, com marina, hotel, bares e restaurantes

Projeto de revitalização dos primeiros armazéns do Valongo ainda prevê um novo terminal de cruzeiros e uma torre de escritórios

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2012 | 03h03

Sem uso há mais de 20 anos, os primeiros oito armazéns do Porto de Santos darão lugar a um complexo de turismo e negócios que promete transformar o Valongo na área mais valorizada da cidade do litoral sul. A construção de terminal de cruzeiros no local, com área anexa para restaurantes, lojas, hotéis e marina, é a aposta municipal para atrair investimentos privados e mudar a cara da região para a Copa.

Na terça-feira, o projeto de revitalização começa a sair do papel, com abertura das propostas para elaboração do projeto executivo do "mergulhão" - passagem subterrânea que vai tirar caminhões da Rua Xavier da Silveira e abrir espaço à revitalização da área. A obra, avaliada em R$ 370 milhões, será custeada pelo governo federal, por meio da 2.ª fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A viabilidade do projeto, segundo o secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, Sérgio Aquino, depende diretamente da reforma viária. "Costumo dizer que sem mergulhão não há revitalização. Isso porque não temos como fazer a ligação entre o centro histórico e o Valongo sem tirar os caminhões de lá", afirma.

Pela proposta de intervenção, em fase final de estudo, o desvio do tráfego pesado fará com que o trecho de 1,5 km da Rua Xavier da Silveira, entre a Rua São Bento e a Avenida Conselheiro Nébias, seja transformado em uma espécie de esplanada só para a pedestres. Veículos leves permanecerão em uma marginal paralela.

O principal acesso a esse complexo de equipamentos será oferecido pela Praça Barão de Rio Branco. Por ela, o turista terá passagem para o bolsão de estacionamento do novo terminal de cruzeiros, que também servirá à futura marina e à rede de serviços a ser instalada nos armazéns que serão restaurados.

Segundo a arquiteta da prefeitura Yedda Cristina Moreira Sadocco, os armazéns 1, 2 e 3 devem receber restaurantes, bares, lojas e ateliês de arte. "Eles serão reformados internamente, mas a casca deve permanecer a mesma, pelo valor histórico", diz.

É possível ainda que seja instalado um Museu de Arte Contemporânea na área, para a formação de um corredor cultural no bairro. O Valongo receberá também o Museu do Pelé, já em obras.

Para viabilizar o traçado do "mergulhão", é possível que o armazém 4 seja removido parcialmente. "O estudo final é que vai nos dar essa resposta. A expectativa é de que ele fique pronto até abril", afirma Yedda. O plano está nas mãos de uma empresa multinacional, contratada por cerca de R$ 1 milhão.

Com a intervenção oficializada, a prefeitura de Santos buscará a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com representantes do Ministério Público Estadual para liberação da área de 55 mil m².Os armazéns 5 e 6 já estão livres e abrigam uma estação de barcas que faz a ligação de Santos com Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá. Com a revitalização, o serviço deve ser mantido e modernizado.

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